Às vezes eu queria ter algo muito importante pra falar e escrever – sem demora, inspirar alguém no mundo a resistir; insistir; transformar
Ser aquela estranha coincidência na vida de alguém, no momento mais que derradeiro
A pessoa que surge como a última cavalaria, o primeiro raio de sol
E estende mais que a mão: uma palavra! – aquela que tudo põe em perspectiva
Arranca o desespero e traz logo uma árvore de esperança bem frondosa
Mas eu só consigo puxar as letras do meu próprio alfabeto
E elas sempre se organizam a mendigar: paixão, paixão, paixão
O que isso tem de bom pra alguém?
Ninguém se alimenta ou se veste disso
Então quem sabe a minha sina é a insignificância do eterno apaixonado
Ter a alma nos lábios e o coração na ponta dos dedos
Esperando que venham ajudá-lo e não o contrário