Rio de Janeiro, 27/10/10.
Olá!
A viagem terminou. Foram vinte dias intensos e, às vezes, antagônicos. Cheguei a pensar em um retorno antecipado. Depois, já queria planejar as próximas férias.
O certo é que a Europa, com todas as suas cores, merece uma visita durante a primavera. Se o amarelo-avermelhado já fez do outono uma obra-prima, a estação das flores é uma grande promessa.
Contudo, antes de assumir de vez o fim das férias, gostaria de resgatar algumas curiosidades.
- Após a primeira noite em Bruxelas, acordei com uma ferida no lábio inferior. Corri para a farmácia mais próxima. O homem de trás do balcão observou-me com a testa franzida e, usando um inglês afrancesado, perguntou-me o que era aquilo.
Devo dizer que a ferida não é nenhuma novidade. Já nos encontramos antes e, segundo minhas observações, ela precisa de duas condições para eclodir: a primeira é que eu esteja em um lugar frio; a segunda, que eu viaje sozinho.
Portanto, quando o farmacêutico me lançou aquela pergunta, nem hesitei: “É praga de mulher. Viajei sozinho”.
Para minha surpresa, o homem sorriu e me ofereceu uma caixinha amarela, contendo um remédio desconhecido. Levou-me seis euros e me recomendou usar o composto de 3 a 4 vezes ao dia. Por fim, avisou: “Comporte-se”.
A maldição resistiu bravamente até a chegada a Praga (!). Mas é claro que me comportei o tempo todo. Se a mandinga preventiva já foi tão resistente, a repressiva poderia ser fatal.
- Em Hamburgo, após falhar na busca por uma cabine telefônica, encontrei um pub muito simpático, incrustado na Reeperbahn. Era um bar dedicado ao rock n’ roll.
No palco, uma banda cover do AC/DC lançava gritos pelo ar. Muito bom!
A clientela era bem eclética: alguns das antigas e outros iniciantes. Mas quase todos em harmonia. Jovens e “coroas” tatuados derramavam jarras de cerveja, ao som de Highway to Hell.
Preso à veracidade que deve imperar neste relatório, assumo ter sido assediado por uma animada freqüentadora. Mas calculei que tivesse a idade da minha mãe.
Enfim, o bar era muito animado e seguro. Uma bartender de 1,80m, cheia de tatuagens, empurrou um chato para fora. Mãos no colarinho dele e olhos predadores – moça feroz! O bêbado não teve chance.
O único porém do lugar é que o cigarro estava em toda parte. Quando não pude mais respirar, tive que ir embora prematuramente.
- Copenhague é muito interessante mesmo. Ao fim do expediente, homens e mulheres de negócios vão para casa em cima de suas bicicletas. Ternos, saltos altos, maletas... e as bikes! Radical. E com direito a hora do rush.
- Praga é uma cidade cinematográfica. Tom Cruise lá estava em sua Missão Impossível 4. Passei em frente ao local em que Vin Diesel e Asia Argento enfrentaram um sniper, em Triplo X (foi na Municipal House). E ainda descobri que outros filmes, cujo roteiro nem fala de Praga, também foram rodados lá. Como exemplos: Passaporte para a confusão (Eurotrip), que foi todo realizado na cidade, e Identidade Bourne (em um parque na suposta Zurique, logo após fugir de um guarda, Matt Damon corre pelos arredores do Rudolfinum).
Ah! Um canadense que eu conheci era jogador de futebol profissional. Quando atuava nos EUA, teve a chance de jogar contra o Romário. Como prova de que realmente conhece o baixinho, o amigo relatou: “Ele ficou parado por 89 minutos. De repente, fez um gol”. Alguém duvida?
- Em Viena, encontrei uma adolescente notável. Bonita e bem alegre, conquistou-me por um pequeno detalhe: usava um gorro que tinha a forma da cabeça de um husky siberiano. Lembrou-me Luna Lovegood e o leão da Grifinória. Nota dez!
Bem, é isso, companheiros. Há muito mais o que dizer, mas vocês terão que explorar a minha memória pessoalmente.
Para encerrar, digo de coração: o melhor de viajar é a volta para casa.
Obrigado, pátria amada, por me receber novamente em seus braços.
Até logo!
P.P.S.: Que soem as gaitas de fole! Um bravo guerreiro tombou!
Ferido em combate, ficou ao meu lado até o fim. Contudo, perder uma perna é mortal para qualquer tripé. Mexe com sua essência.
Adeus, meu amigo! Tivemos bons momentos juntos. Descanse em paz.