Não são raras as vezes em que nos sentimos no topo
Julgamos ter vivido experiências bastantes
Bebido da vida aquilo que podíamos
E nos proclamamos senhores do bom senso e da razão
Mas eis que no caminho surge outra alma
Um rei de outrora caído de sua majestade
Despido de alto a baixo do orgulho aos pés
De coração aberto ao sofrimento
É justo aí que nos damos conta de nossa pequenez
Porque embora tentemos conjurar do éter a sagrada palavra
Ou escavar no rosto o preciso olhar
Tocados pela crueza de uma alma em dor
Apenas os que são de fato grandes
Não se curvam em silêncio
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Já não te sinto mais em meu futuro
Como se a lógica do universo me esfregasse
De repente o rosto na vitrine da verdade:
A luz não dança onde a sombra faz morada
Não há portanto o que fazer senão deitar
Meu coração aos teus cuidados
À maestria do teu riso fácil que me arranca
Ao louco descompasso uma bela sinfonia
Mas se me permites agora enquanto há tempo
O abuso de um pedido:
Não quero que sofras se a vida me for justa
O que eu te rogo de joelhos
Aqui do fundo de minhas sombras
É que na luz um dia tu esperes por mim
Como se a lógica do universo me esfregasse
De repente o rosto na vitrine da verdade:
A luz não dança onde a sombra faz morada
Não há portanto o que fazer senão deitar
Meu coração aos teus cuidados
À maestria do teu riso fácil que me arranca
Ao louco descompasso uma bela sinfonia
Mas se me permites agora enquanto há tempo
O abuso de um pedido:
Não quero que sofras se a vida me for justa
O que eu te rogo de joelhos
Aqui do fundo de minhas sombras
É que na luz um dia tu esperes por mim
sábado, 25 de outubro de 2014
Mudança
Hoje eu acordei pensando na República Tcheca.
Dominada pelo nazismo, sob a mão do Carniceiro de Praga, aquela nação ansiava por mudanças. Mas a sua libertação veio pelas mãos dos soviéticos: as câmaras de gás deram lugar à Cortina de Ferro...
Não é segredo que o país vem sendo depredado; que o governo é corrupto; que precisa de mudanças. Mas se existe uma lembrança que trago das aulas de História do Brasil é aquela frase antiga: "nada mais conservador que um liberal no poder; nada mais liberal que um conservador na oposição".
Provavelmente todo brasileiro está acostumado a saltar da frigideira e cair direto no fogo. E quando olho as opções que temos para o governo de nosso país, honestamente, fico apreensivo.
Há que se reconhecer a notável superioridade intelectual (e até carismática) de um candidato em relação ao outro. Contudo, um sussurro pessimista me alerta para a possibilidade de que o país deixe de ser estuprado à luz do dia para ser induzido a um coito forçado, na calada da noite, ao sabor de palavras bem estudadas, mas que não disfarçariam a realidade.
Porém a essa altura, conquanto viciada, a moeda já está no ar: é cara ou coroa. Só espero que, independentemente de governantes ou partidos, o Brasil mude de atitude. E que vença, portanto, o SER HUMANO que estiver mais propenso a buscar em si mesmo aquela virtude há muito esquecida - a dignidade.
Afinal de contas, como escreveu Quintana:
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Dominada pelo nazismo, sob a mão do Carniceiro de Praga, aquela nação ansiava por mudanças. Mas a sua libertação veio pelas mãos dos soviéticos: as câmaras de gás deram lugar à Cortina de Ferro...
Não é segredo que o país vem sendo depredado; que o governo é corrupto; que precisa de mudanças. Mas se existe uma lembrança que trago das aulas de História do Brasil é aquela frase antiga: "nada mais conservador que um liberal no poder; nada mais liberal que um conservador na oposição".
Provavelmente todo brasileiro está acostumado a saltar da frigideira e cair direto no fogo. E quando olho as opções que temos para o governo de nosso país, honestamente, fico apreensivo.
Há que se reconhecer a notável superioridade intelectual (e até carismática) de um candidato em relação ao outro. Contudo, um sussurro pessimista me alerta para a possibilidade de que o país deixe de ser estuprado à luz do dia para ser induzido a um coito forçado, na calada da noite, ao sabor de palavras bem estudadas, mas que não disfarçariam a realidade.
Porém a essa altura, conquanto viciada, a moeda já está no ar: é cara ou coroa. Só espero que, independentemente de governantes ou partidos, o Brasil mude de atitude. E que vença, portanto, o SER HUMANO que estiver mais propenso a buscar em si mesmo aquela virtude há muito esquecida - a dignidade.
Afinal de contas, como escreveu Quintana:
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Quando todo o resto desabar
Como se a cortina do mundo
Tiver que descer ao fim do espetáculo
O que ficará gravado nas páginas do universo
Não serão os grandes feitos, como de heróis
Do cinema
Serão aqueles pequenos momentos
De pura e total singeleza
Em que deixamos a carne de lado
E vivemos de alma aberta
Com o coração gentilmente ofertado
A quem o mereça.
Como se a cortina do mundo
Tiver que descer ao fim do espetáculo
O que ficará gravado nas páginas do universo
Não serão os grandes feitos, como de heróis
Do cinema
Serão aqueles pequenos momentos
De pura e total singeleza
Em que deixamos a carne de lado
E vivemos de alma aberta
Com o coração gentilmente ofertado
A quem o mereça.
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Como eu agradeço pelo teu sorriso
Pelo teu olhar no centro do meu rumo
Estrelas nessa noite eterna
Faróis no imenso breu do mar
O pensar em ti é pausar tudo
Tudo que não presta na vida
Qualquer inutilidade furtiva
Dinheiro, problemas, tristeza – a própria vida!
O nosso é um momento de sonho
Em que o tempo só passa quando acaba
E o espaço entre nós (cruel!) se dilata
O que eu desejo é sempre e só a tua presença
Na simplicidade do meu coração-passarinho-apaixonado
Que só faz cantar quando pousa de leve em teus braços
Pelo teu olhar no centro do meu rumo
Estrelas nessa noite eterna
Faróis no imenso breu do mar
O pensar em ti é pausar tudo
Tudo que não presta na vida
Qualquer inutilidade furtiva
Dinheiro, problemas, tristeza – a própria vida!
O nosso é um momento de sonho
Em que o tempo só passa quando acaba
E o espaço entre nós (cruel!) se dilata
O que eu desejo é sempre e só a tua presença
Na simplicidade do meu coração-passarinho-apaixonado
Que só faz cantar quando pousa de leve em teus braços
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Mãe
E se eu pudesse recomeçar contigo?
Reconversar um pouco do que eu disse com palavras mais doces
Recalar ainda o que ficou subentendido
Mas aproveitar cada olhar que desviei do teu coração
Percebo agora o quanto o tempo de nós se afastou
Como as nossas esperanças se desgastaram e morreram
Em pequenas inutilidades do dia após dia
Coisas que jamais poderão fazer algum sentido
De tal forma que passamos a nos conhecer nessas torpezas
E só nos reconhecemos no silêncio do inverno que criamos
Em que vivemos
Congelados um no outro
Não somos o que esperávamos
De nós, um do outro; um para o outro
Homônimos é o que somos
De alma a alma, decepção refletida
Mas te peço perdão se possível
Por não ser o que sonharas
Por não conseguir, não querer, não poder
E te pagar olho por olho na cobrança e não no afeto
Agora que estamos tão cansados
Meus olhos se rasgam para o fato
De que perdi o tempo de te ganhar
Investigando se tu não me querias
Se eu pudesse mesmo recomeçar,
Apagaria qualquer expectativa
E passaria o tempo todo a te amar
Nada mais.
Reconversar um pouco do que eu disse com palavras mais doces
Recalar ainda o que ficou subentendido
Mas aproveitar cada olhar que desviei do teu coração
Percebo agora o quanto o tempo de nós se afastou
Como as nossas esperanças se desgastaram e morreram
Em pequenas inutilidades do dia após dia
Coisas que jamais poderão fazer algum sentido
De tal forma que passamos a nos conhecer nessas torpezas
E só nos reconhecemos no silêncio do inverno que criamos
Em que vivemos
Congelados um no outro
Não somos o que esperávamos
De nós, um do outro; um para o outro
Homônimos é o que somos
De alma a alma, decepção refletida
Mas te peço perdão se possível
Por não ser o que sonharas
Por não conseguir, não querer, não poder
E te pagar olho por olho na cobrança e não no afeto
Agora que estamos tão cansados
Meus olhos se rasgam para o fato
De que perdi o tempo de te ganhar
Investigando se tu não me querias
Se eu pudesse mesmo recomeçar,
Apagaria qualquer expectativa
E passaria o tempo todo a te amar
Nada mais.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
O que fazer quando se acaba o último gole de alma
E toda a campanha dos justos pela fé no amanhã
Já não faz como nunca fez eco no seu parco resto de
Esperança?
Cada rosto que o observa já não tem mais o fogo
Da acusação e sim o veneno da indiferença
Que o faz no espelho contemplar o adeus ao querer ser
Restando-lhe o pedir não ter feito ou ser algo que não isso
E em algum lugar aí por dentro um relógio marca apenas os segundos
Que se perderam amontoados naquilo a que batizaram sua vida
O milagre de conceber os sonhos mais belos
E mais a tortura de vê-los não vingar
Um
Por
Um
Lenta e violentamente no absurdo passo do envelhecer
A metamorfose da semente divina em homem-feito
Exigindo-se que se torne algo antes de ser gente
De ser humano
E o que se quer no fim é inspirar um pouco de compaixão
Mendigando pelo caminho das outras almas um afeto (sincero)
Ainda que manchado pela sombra do desconhecimento
Daquilo que um dia mudou e se tornou você
E toda a campanha dos justos pela fé no amanhã
Já não faz como nunca fez eco no seu parco resto de
Esperança?
Cada rosto que o observa já não tem mais o fogo
Da acusação e sim o veneno da indiferença
Que o faz no espelho contemplar o adeus ao querer ser
Restando-lhe o pedir não ter feito ou ser algo que não isso
E em algum lugar aí por dentro um relógio marca apenas os segundos
Que se perderam amontoados naquilo a que batizaram sua vida
O milagre de conceber os sonhos mais belos
E mais a tortura de vê-los não vingar
Um
Por
Um
Lenta e violentamente no absurdo passo do envelhecer
A metamorfose da semente divina em homem-feito
Exigindo-se que se torne algo antes de ser gente
De ser humano
E o que se quer no fim é inspirar um pouco de compaixão
Mendigando pelo caminho das outras almas um afeto (sincero)
Ainda que manchado pela sombra do desconhecimento
Daquilo que um dia mudou e se tornou você
quarta-feira, 16 de abril de 2014
O rascunho já vai bem rasgado, eu sei
Mas quem pode fazer de si uma bola
Jogar-se no lixo e começar do zero
Como se o mundo não o conhecesse?
Um quê de big bang de uma só alma
Engatinhando pelos pés dos anjos
Brincando no conforto do não saber
Do ainda poder
Mas não
O preço de ser humano vai além
É não poder parar nunca
(Ou pelo menos não dever)
E mesmo quando se pensa que não dá mais
Que já se partiu tudo o que podia dentro de si
E a única saída é a saída - é enfim ter um fim
Vem um anjo-zé todo sujo de graxa
Que te remenda com chiclete, arame e cuspe
Só pra ver se dá pra ir um pouco mais longe
(Até a esquina, talvez)
No caminho que só Deus sabe onde vai dar
Mas quem pode fazer de si uma bola
Jogar-se no lixo e começar do zero
Como se o mundo não o conhecesse?
Um quê de big bang de uma só alma
Engatinhando pelos pés dos anjos
Brincando no conforto do não saber
Do ainda poder
Mas não
O preço de ser humano vai além
É não poder parar nunca
(Ou pelo menos não dever)
E mesmo quando se pensa que não dá mais
Que já se partiu tudo o que podia dentro de si
E a única saída é a saída - é enfim ter um fim
Vem um anjo-zé todo sujo de graxa
Que te remenda com chiclete, arame e cuspe
Só pra ver se dá pra ir um pouco mais longe
(Até a esquina, talvez)
No caminho que só Deus sabe onde vai dar
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Em Nome do Pai
Em nome do Pai eu peço
Que me perdoem a autoimune insapiência do viver
Por sempre amar como nada um pato novo
E carregar na alma junto com as flores também as dores
Em nome do Pai eu peço
Que observem e amem as crianças
E as afastem do adulto medíocre de amanhã
O que não sabe mais o que é infância
E perde o que mais se deveria amar no ser humano
O milagre de sonhar a realidade
Ter o eterno como a brincadeira
E o infinito como o próximo segundo
Em nome do Pai eu peço
Que na valsa da morte eu me despeça de olho firme
E na viagem me destinem um lugar simples
Que não seja um paraíso mas um jardim
Onde eu possa andar entre a beleza
Sem medo de que algo me usurpem
E me arranquem do espírito a paz
Exigindo aparências, condutas, cortejos
Em nome do Pai no fim eu peço
O silêncio
Brasão das almas que sabem
O exato valor do sorriso e da lágrima
Que me perdoem a autoimune insapiência do viver
Por sempre amar como nada um pato novo
E carregar na alma junto com as flores também as dores
Em nome do Pai eu peço
Que observem e amem as crianças
E as afastem do adulto medíocre de amanhã
O que não sabe mais o que é infância
E perde o que mais se deveria amar no ser humano
O milagre de sonhar a realidade
Ter o eterno como a brincadeira
E o infinito como o próximo segundo
Em nome do Pai eu peço
Que na valsa da morte eu me despeça de olho firme
E na viagem me destinem um lugar simples
Que não seja um paraíso mas um jardim
Onde eu possa andar entre a beleza
Sem medo de que algo me usurpem
E me arranquem do espírito a paz
Exigindo aparências, condutas, cortejos
Em nome do Pai no fim eu peço
O silêncio
Brasão das almas que sabem
O exato valor do sorriso e da lágrima
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