terça-feira, 20 de julho de 2010

Filosofia de Metrô

Seria suicídio ou destemor comer
algo que há tempos me enoja?
Afrontar o pudor que esse odor me causa
é bravura ou tolice?

Mas não é hora de pão de queijo.

Bravura. Bravos somos todos,
Sob a tonelada de existência e carregados,
transitórios que somos, pela nossa leveza.

Não sou mais o mesmo. Nunca fui.
Mas meu olhar ainda é tão perdido
quanto o da minha infância.

O que mudou foi a idade do espírito,
minha crença na vida e, é claro,
meu estoque de esperança.

Nunca será hora de pão de queijo.

Poesia

Trago em mim um eco
Tão agudo e constante como
A certeza (condenação) de existir.
E existo. E ouço o ruído a todo instante.

Assim como teus olhos, teus belos olhos!, são teus
E te foram dados pela genética, por Deus
Mas que são de tal forma teus que parecem
Ter vindo junto com a tua própria essência,
Com aquilo de ti que era e será.

Também meu eco é mais que uma dádiva
E me diz como sou exilado nesse mundo.
Meu mundo. Nosso mundo. De ninguém.

E grita sempre que me vejo só
Como a saborear meu sangue perdido.
É como um carrasco a me aplicar a pena:
Abrir as portas do mundo a mim mesmo
E mostrar aos outros tudo aquilo que eu vejo
Sem nem saber de que se trata.

Mas como ele grita!