segunda-feira, 12 de maio de 2014

Mãe

E se eu pudesse recomeçar contigo?
Reconversar um pouco do que eu disse com palavras mais doces
Recalar ainda o que ficou subentendido
Mas aproveitar cada olhar que desviei do teu coração

Percebo agora o quanto o tempo de nós se afastou
Como as nossas esperanças se desgastaram e morreram
Em pequenas inutilidades do dia após dia
Coisas que jamais poderão fazer algum sentido

De tal forma que passamos a nos conhecer nessas torpezas
E só nos reconhecemos no silêncio do inverno que criamos
Em que vivemos
Congelados um no outro

Não somos o que esperávamos
De nós, um do outro; um para o outro
Homônimos é o que somos
De alma a alma, decepção refletida

Mas te peço perdão se possível
Por não ser o que sonharas
Por não conseguir, não querer, não poder
E te pagar olho por olho na cobrança e não no afeto

Agora que estamos tão cansados
Meus olhos se rasgam para o fato
De que perdi o tempo de te ganhar
Investigando se tu não me querias

Se eu pudesse mesmo recomeçar,
Apagaria qualquer expectativa
E passaria o tempo todo a te amar
Nada mais.