Não sobrou muita coisa
Apenas o aguçar de ouvidos
À espera que um anjo (que se importe mesmo!)
Venha cochichar algum conforto
Mas somos ecos para um tempo surdo
Perdidamente loucos desde o alvorecer
De uma vida que se dobra para a luz
Sem jamais lograr fugir do ocaso
Invariavelmente à procura de um sentido em si:
Nada mais que a cíclica tragédia dos iludidos
Aqueles que se olham de relance e cismam de ver
Algo de diferente - uma unicidade pobremente arranjada
Enquanto não passam de almas comuns
(Se é que é possível ser alma e comum)
A nadarem sempre afoitas das profundezas
Do abismo que alberga os moribundos
Em direção à epifânica superfície
Onde mora a indiferença do universo
Que lhes recebe com um terno acariciar de cabelos
E os empurra brutalmente para baixo