Se a chuva que se derrama a lavar sujas calçadas
Alcançasse a consciência dos homens
Não se fabricaria sequer um guarda-chuva
E todo mundo colecionaria trovoadas
Guardando nos bolsos uns relâmpagos também
Pra mais tarde, é claro, a hora escura
Quando a sujeira resistente costuma aparecer
Só que não é de nuvem a chuva que limpa a alma enferma
Ela vem do coração quebrado e vai jorrar pelos olhos
Tão somente quando a previsão é que se caia de joelhos
E se permita a sã tormenta do arrependimento