Trouxe para o dia um sonho:
Completar de beleza o mundo,
Espalhar encanto aos ventos,
Ver na vida a vida que nela canta.
Ah! Se ao menos tivesse a música
Ou o dom do mármore!
A arte em mim é esforço literário
Uma pena de trabalhos forçados.
Pedreiro é o que sou dos versos
Como da rocha Gaudí foi poeta.
Mas tenho esperança.
Apesar do ser que em mim carrego,
Quero marcar meu nome em glória
Pelo que de mim ao mundo entrego.
E se um dia alguém, de emoção, de amor,
UMA lágrima vertesse ou suspirasse pelo meu verso,
Minha vida, então, seria bela.
Eu poeta, enfim, seria.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Insônia e Demônios
Cá estou com meus demônios. Comecei assim um poema que não terminou bem. Era um soneto. Batizei-o “Cedo ou Tarde”, em homenagem às tentações que nos espreitam. A idéia até que era boa. O poeta, nem tanto.
Agora a madrugada se intromete, ao som de Beethoven, enquanto aprecio a minha insônia. Ah, companheira! Tu e os demônios são fiéis na danação. Uma hora tu vens. Cedo ou tarde eles vencem. Hoje, vieste.
Sei que não posso reclamar. É graças a ti que às vezes escrevo. Ou leio mais um pouco, ou assisto de novo àquele filme cujo início jamais alcancei. Chega a ser divertido.
O chato da insônia, contudo, é imaginar com quem mais ela dorme, a lasciva! Quantas outras janelinhas estão a competir com as estrelas? Quantos não estão a escrever ou a compor? Talvez Beethoven também se deitasse com ela.
Mas me preocupo mesmo é com outros amantes. Certamente alguém não dorme agora, por fome – sua ou dos seus. O estômago é uma sirene pela noite.
Vou à janela espairecer e olhar as estrelas. Está frio lá fora. Especialmente na calçada onde se deita gente como eu.
Penso, então, no gelo de alma, na fome de paz, de amor.
Nesse momento, alguns sofrem de angústia. Consciência culpada. Medo. Solidão. Talvez chore a mãe do rapaz que ainda não voltou para casa. Talvez não chore, mas certamente o espera acordada. Há quem vigie o leito de um hospital. Outro corre ao telefone.
Quanta insônia no mundo, enquanto reclamo da minha! O que me conforta um pouco é saber que há quem não durma, porque pensa em resolver o problema dessa gente sofrida. Desse povo cujo sono é um pedaço de pão, uma cama, um cobertor. Uma bolsa de sangue, um órgão, um telefonema. Salário, amor, amizade, paz, filhos, pais...
Ah, minha amiga! Gruda nesse! É ele que vela por quem sofre. E não te preocupes com a solidão, caso a dor escape do mundo. Sempre haverá os que não dormem, por mera paixão.
Pronto! Não disse? Chegaram os demônios.
Agora a madrugada se intromete, ao som de Beethoven, enquanto aprecio a minha insônia. Ah, companheira! Tu e os demônios são fiéis na danação. Uma hora tu vens. Cedo ou tarde eles vencem. Hoje, vieste.
Sei que não posso reclamar. É graças a ti que às vezes escrevo. Ou leio mais um pouco, ou assisto de novo àquele filme cujo início jamais alcancei. Chega a ser divertido.
O chato da insônia, contudo, é imaginar com quem mais ela dorme, a lasciva! Quantas outras janelinhas estão a competir com as estrelas? Quantos não estão a escrever ou a compor? Talvez Beethoven também se deitasse com ela.
Mas me preocupo mesmo é com outros amantes. Certamente alguém não dorme agora, por fome – sua ou dos seus. O estômago é uma sirene pela noite.
Vou à janela espairecer e olhar as estrelas. Está frio lá fora. Especialmente na calçada onde se deita gente como eu.
Penso, então, no gelo de alma, na fome de paz, de amor.
Nesse momento, alguns sofrem de angústia. Consciência culpada. Medo. Solidão. Talvez chore a mãe do rapaz que ainda não voltou para casa. Talvez não chore, mas certamente o espera acordada. Há quem vigie o leito de um hospital. Outro corre ao telefone.
Quanta insônia no mundo, enquanto reclamo da minha! O que me conforta um pouco é saber que há quem não durma, porque pensa em resolver o problema dessa gente sofrida. Desse povo cujo sono é um pedaço de pão, uma cama, um cobertor. Uma bolsa de sangue, um órgão, um telefonema. Salário, amor, amizade, paz, filhos, pais...
Ah, minha amiga! Gruda nesse! É ele que vela por quem sofre. E não te preocupes com a solidão, caso a dor escape do mundo. Sempre haverá os que não dormem, por mera paixão.
Pronto! Não disse? Chegaram os demônios.
Dança Comigo
Dança comigo esta noite
É do amor o pulsar
Que me enleva e embala
Em teu leve soar
Cola teu amor no meu
Encontra meu passo
Aos versos de beijos
Te guio em meus braços
A hora é só nossa
O tempo não conta
Ao bailar de dois astros
Do espaço à sombra
Dança comigo
Esta noite sou teu
Em vida e em sonho
Esta noite só teu
Em vida e em sonho
Só teu, sou teu
Dança comigo
Dança
É do amor o pulsar
Que me enleva e embala
Em teu leve soar
Cola teu amor no meu
Encontra meu passo
Aos versos de beijos
Te guio em meus braços
A hora é só nossa
O tempo não conta
Ao bailar de dois astros
Do espaço à sombra
Dança comigo
Esta noite sou teu
Em vida e em sonho
Esta noite só teu
Em vida e em sonho
Só teu, sou teu
Dança comigo
Dança
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Hoje acordei de luto
Hoje acordei de luto.
Quando passa, a ceifeira sempre me põe a pensar. Desta vez viajei até minha infância perdida. Aos verões passados em Araruama.
A cada manhã, um mergulho na lagoa, de máscara e pés-de-pato (!), caçando tesouros distraídos ou ritualísticos (Iemanjá, perdão!). Ou apenas pedras e conchas mesmo. Tudo me servia. Nada prestava.
E quando o sol diminuía o maçarico, futebol da molecada! Disputas acirradas e emocionantes! O tira-teima nos lances duvidosos eram altos palavrões. Não raro alguns socos e pontapés também. Mas nunca o rancor. No dia seguinte, estávamos todos lá novamente. Pés descalços, calções surrados, bola vazia, chuva...
Nem sequer nos dávamos conta de toda a natureza que nos cercava. Da fartura nos coqueiros que freqüentemente assaltávamos, da límpida água da lagoa, da brisa refrescante que reinava pelas tardes afora.
E aquela fatídica noite, quando a luz acabou no condomínio inteiro? Sentamo-nos ao meio-fio, admirados com todas as estrelas que desafiavam o negrume noturno. E procuramos o Cruzeiro do Sul e as Três-Marias, amando todas as outras que se punham no caminho. Que presente essa noite bendita! Deu-me sonhos de beleza e infinito. Foi meu berço de poeta.
E o futuro? Era tudo tão possível que nem pensávamos nisso. O futuro era a próxima aventura, nada mais. Qual criança tem limites?
Mas o amanhã chegou em dias de cúmulos-nimbos. A criança feliz foi sepultada ao me dar à luz. Sete palmos de realidade; caixão de cimento.
A ti, moleque, meu luto. A mim, os pêsames...
E a saudade que me pega em lágrimas.
Quando passa, a ceifeira sempre me põe a pensar. Desta vez viajei até minha infância perdida. Aos verões passados em Araruama.
A cada manhã, um mergulho na lagoa, de máscara e pés-de-pato (!), caçando tesouros distraídos ou ritualísticos (Iemanjá, perdão!). Ou apenas pedras e conchas mesmo. Tudo me servia. Nada prestava.
E quando o sol diminuía o maçarico, futebol da molecada! Disputas acirradas e emocionantes! O tira-teima nos lances duvidosos eram altos palavrões. Não raro alguns socos e pontapés também. Mas nunca o rancor. No dia seguinte, estávamos todos lá novamente. Pés descalços, calções surrados, bola vazia, chuva...
Nem sequer nos dávamos conta de toda a natureza que nos cercava. Da fartura nos coqueiros que freqüentemente assaltávamos, da límpida água da lagoa, da brisa refrescante que reinava pelas tardes afora.
E aquela fatídica noite, quando a luz acabou no condomínio inteiro? Sentamo-nos ao meio-fio, admirados com todas as estrelas que desafiavam o negrume noturno. E procuramos o Cruzeiro do Sul e as Três-Marias, amando todas as outras que se punham no caminho. Que presente essa noite bendita! Deu-me sonhos de beleza e infinito. Foi meu berço de poeta.
E o futuro? Era tudo tão possível que nem pensávamos nisso. O futuro era a próxima aventura, nada mais. Qual criança tem limites?
Mas o amanhã chegou em dias de cúmulos-nimbos. A criança feliz foi sepultada ao me dar à luz. Sete palmos de realidade; caixão de cimento.
A ti, moleque, meu luto. A mim, os pêsames...
E a saudade que me pega em lágrimas.
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