Que bom ouvir sua voz, como sempre. Estamos distantes, eu sei. Mas nunca houve um “perto” que nos bastasse. Entre um sorriso e outro, a vida é apenas uma grande saudade.
É culpa da correria, não concorda? Meu Deus, que pressa! Cada segundo me joga cobranças. Acho que estou sempre em dívida com alguém, com Deus, comigo... E então eu deixo você ir. Deixo de ligar, sumo por uns tempos... Mas não se engane. Estou monitorando seus olhos à distância. E toda vez que seu coração esquentou um pouquinho – assim, de repente mesmo! – fui eu que lancei um beijo ao vento e mandei entregar na hora.
Estou perto, ao alcance de uma lágrima. Então jamais hesite em me ligar, gritar, mandar e-mail. Toda vez que a dor cruzar o céu e o inverno trouxer um gelo de solidão, estarei aqui, de vigília.
Apenas me chame. Pela voz ou pelo olhar, eu entenderei. E peço que não tente me poupar da sua dor, porque é muito pior pensar que você sofreu e não fiz nada. Acredite em mim, é bem pior. Estou contando anos como quem coleciona garrafas vazias embaixo da mesa. Se eu não fizer nada por você, o que terei feito da vida? Não me poupe. Não chore sem mim.
Gostaria de arrancar a sua dor e torná-la minha, sempre minha, só minha. Contudo, sou apenas um homem. Nada posso de sobrenatural. Não vou segurar o sol e fazer sua vida um belo dia de verão – e Deus sabe que era esse o meu desejo.
Mas vou ficar ao seu lado até a noite acabar.
Porque você mora em um castelo de flores, construído e cultivado a cada gesto de amizade que me semeou no peito. E aqui ficará, enquanto as areias do tempo escorrerem pelos meus pés.
Feliz Dia do Amigo.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Pecado Original
Por alguma razão desconhecida, um dia pararam as máquinas do céu. E tudo ficou tão quieto e suspenso, que se podia ouvir o coração dos anjos, aflitos e perdidos.
Mas antes que o ócio gerasse desordem, O Pai, tão calmo, pegou da matéria-prima e examinou-a contra a luz.
Marcando-lhe as arestas, sob o atento olhar de cada anjo-construtor, pegou o cinzel e começou a trabalhar.
Quando terminou, deixou a obra no centro da sala e sem dizer palavra alguma retirou-se.
Encantados, os anjos deram-se as mãos em torno da estátua e se entenderam apenas com o olhar: sem máquinas, deviam talhar eles mesmos uma pedra, conforme o Pai o fizera.
Mas como copiar aquela obra-prima? Nenhum deles possuía talento o bastante.
A única saída deveria ser o trabalho em equipe.
E assim, com o produto das divinas mãos ao centro da sala, toda a falange dos céus trabalhou horas a fio, tentando, e tentando e tentando copiar-lhe a magia. Exaustos, após várias tentativas infrutíferas, resolveram que atingiram o melhor resultado que podiam e decidiram encerrar as atividades.
Um deles, contudo, o mais aplicado, antes de sair teve uma ideia inocente. Arrastou o imperfeito até que ficasse de frente à obra divina, esperando ingenuamente que a beleza lhe passasse por contágio, por autoinspiração.
Despediu-se com um beijo no ar e uma prece de sussurro...
E foi assim que surgimos - eu e você, como dois resultados de uma falha do céu. Os seus contornos foram obra direta d'O Artista e é por isso que a própria graça se espanta quando a encontra.
Mas quanto a mim, ah! - o mistério selou meu destino.
Aquela noite se foi e a manhã me encontrou de joelhos aos seus pés.
Admirados, os outros anjos perguntaram ao pequeno:
"Cupido, Cupido... o que foi que você fez?"
Mas ele nunca soube o que dizer.
Mas antes que o ócio gerasse desordem, O Pai, tão calmo, pegou da matéria-prima e examinou-a contra a luz.
Marcando-lhe as arestas, sob o atento olhar de cada anjo-construtor, pegou o cinzel e começou a trabalhar.
Quando terminou, deixou a obra no centro da sala e sem dizer palavra alguma retirou-se.
Encantados, os anjos deram-se as mãos em torno da estátua e se entenderam apenas com o olhar: sem máquinas, deviam talhar eles mesmos uma pedra, conforme o Pai o fizera.
Mas como copiar aquela obra-prima? Nenhum deles possuía talento o bastante.
A única saída deveria ser o trabalho em equipe.
E assim, com o produto das divinas mãos ao centro da sala, toda a falange dos céus trabalhou horas a fio, tentando, e tentando e tentando copiar-lhe a magia. Exaustos, após várias tentativas infrutíferas, resolveram que atingiram o melhor resultado que podiam e decidiram encerrar as atividades.
Um deles, contudo, o mais aplicado, antes de sair teve uma ideia inocente. Arrastou o imperfeito até que ficasse de frente à obra divina, esperando ingenuamente que a beleza lhe passasse por contágio, por autoinspiração.
Despediu-se com um beijo no ar e uma prece de sussurro...
E foi assim que surgimos - eu e você, como dois resultados de uma falha do céu. Os seus contornos foram obra direta d'O Artista e é por isso que a própria graça se espanta quando a encontra.
Mas quanto a mim, ah! - o mistério selou meu destino.
Aquela noite se foi e a manhã me encontrou de joelhos aos seus pés.
Admirados, os outros anjos perguntaram ao pequeno:
"Cupido, Cupido... o que foi que você fez?"
Mas ele nunca soube o que dizer.
Assinar:
Postagens (Atom)