Que bom ouvir sua voz, como sempre. Estamos distantes, eu sei. Mas nunca houve um “perto” que nos bastasse. Entre um sorriso e outro, a vida é apenas uma grande saudade.
É culpa da correria, não concorda? Meu Deus, que pressa! Cada segundo me joga cobranças. Acho que estou sempre em dívida com alguém, com Deus, comigo... E então eu deixo você ir. Deixo de ligar, sumo por uns tempos... Mas não se engane. Estou monitorando seus olhos à distância. E toda vez que seu coração esquentou um pouquinho – assim, de repente mesmo! – fui eu que lancei um beijo ao vento e mandei entregar na hora.
Estou perto, ao alcance de uma lágrima. Então jamais hesite em me ligar, gritar, mandar e-mail. Toda vez que a dor cruzar o céu e o inverno trouxer um gelo de solidão, estarei aqui, de vigília.
Apenas me chame. Pela voz ou pelo olhar, eu entenderei. E peço que não tente me poupar da sua dor, porque é muito pior pensar que você sofreu e não fiz nada. Acredite em mim, é bem pior. Estou contando anos como quem coleciona garrafas vazias embaixo da mesa. Se eu não fizer nada por você, o que terei feito da vida? Não me poupe. Não chore sem mim.
Gostaria de arrancar a sua dor e torná-la minha, sempre minha, só minha. Contudo, sou apenas um homem. Nada posso de sobrenatural. Não vou segurar o sol e fazer sua vida um belo dia de verão – e Deus sabe que era esse o meu desejo.
Mas vou ficar ao seu lado até a noite acabar.
Porque você mora em um castelo de flores, construído e cultivado a cada gesto de amizade que me semeou no peito. E aqui ficará, enquanto as areias do tempo escorrerem pelos meus pés.
Feliz Dia do Amigo.
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