Quando me vem esse peso de amor e tristeza
Me acolhendo a alma feito a mãe a um filho enfermo
Posso até sentir o seu perfume aqui pertinho
Atravessando o plano da vida para me encontrar
Não há remédio que resolva a falta que você me faz
Eu preciso me ver nos seus olhos e saber que você também me vê
Que somos muito mais que simples filhos da Criação
Que somos eu... e você
Mas não escrevo para espalhar minha miséria até aí
Só quero encontrar um jeito de furar essa vaga de saudade que me afoga
Para sentir de novo que existo com amor no coração de alguém
Então se achegue e me abrace um pouco (se puder)
Derrame um gole de presença nesse vácuo solitário e me espere
Pois não há caminho no universo que não me leve um dia até você
Reflexos
terça-feira, 1 de março de 2016
terça-feira, 14 de julho de 2015
Volta Logo
Foi como ter um sonho
Animado por muitos planos
E um sem-número de nomes
Um sonho desses que não vêm todo dia
Suaves como o beijo roubado de uma fada
Mas tão frágil ele era
Que a noite o levou de volta
E na cama vazia me deixou apenas os nomes
Embrulhados no pano frio da saudade
Animado por muitos planos
E um sem-número de nomes
Um sonho desses que não vêm todo dia
Suaves como o beijo roubado de uma fada
Mas tão frágil ele era
Que a noite o levou de volta
E na cama vazia me deixou apenas os nomes
Embrulhados no pano frio da saudade
Vazia
Tão vazia a casa da alma,
Que mais parece um mausoléu de gente sem família
Erguendo-se confuso no cemitério da fé caída
Das esperanças perdidas
É preciso começar o dia
Recomeçar a vida
Há algo de novo
Nesse universo de pálpebras cerradas
Um anjo pousou de repente
E de leve no meu colo
Como um aroma divino sobre o pântano
Um canto gentil na madrugada
E também de repente o que estava perdido
No deserto do meu peito voltou a bater
Como se me caísse de surpresa
Uma lágrima
Agora, que a grande questão
Possa não ser o ser ou o não ser
Não importa
Nada mais importa
Só a tua vida
Que brota da minha
Só a tua vida
Que me bate à porta
Tão vazia a casa da alma,
Que mais parece um mausoléu de gente sem família
Erguendo-se confuso no cemitério da fé caída
Das esperanças perdidas
É preciso começar o dia
Recomeçar a vida
Há algo de novo
Nesse universo de pálpebras cerradas
Um anjo pousou de repente
E de leve no meu colo
Como um aroma divino sobre o pântano
Um canto gentil na madrugada
E também de repente o que estava perdido
No deserto do meu peito voltou a bater
Como se me caísse de surpresa
Uma lágrima
Agora, que a grande questão
Possa não ser o ser ou o não ser
Não importa
Nada mais importa
Só a tua vida
Que brota da minha
Só a tua vida
Que me bate à porta
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Lições
Não são raras as vezes em que nos sentimos no topo
Julgamos ter vivido experiências bastantes
Bebido da vida aquilo que podíamos
E nos proclamamos senhores do bom senso e da razão
Mas eis que no caminho surge outra alma
Um rei de outrora caído de sua majestade
Despido de alto a baixo do orgulho aos pés
De coração aberto ao sofrimento
É justo aí que nos damos conta de nossa pequenez
Porque embora tentemos conjurar do éter a sagrada palavra
Ou escavar no rosto o preciso olhar
Tocados pela crueza de uma alma em dor
Apenas os que são de fato grandes
Não se curvam em silêncio
Julgamos ter vivido experiências bastantes
Bebido da vida aquilo que podíamos
E nos proclamamos senhores do bom senso e da razão
Mas eis que no caminho surge outra alma
Um rei de outrora caído de sua majestade
Despido de alto a baixo do orgulho aos pés
De coração aberto ao sofrimento
É justo aí que nos damos conta de nossa pequenez
Porque embora tentemos conjurar do éter a sagrada palavra
Ou escavar no rosto o preciso olhar
Tocados pela crueza de uma alma em dor
Apenas os que são de fato grandes
Não se curvam em silêncio
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Já não te sinto mais em meu futuro
Como se a lógica do universo me esfregasse
De repente o rosto na vitrine da verdade:
A luz não dança onde a sombra faz morada
Não há portanto o que fazer senão deitar
Meu coração aos teus cuidados
À maestria do teu riso fácil que me arranca
Ao louco descompasso uma bela sinfonia
Mas se me permites agora enquanto há tempo
O abuso de um pedido:
Não quero que sofras se a vida me for justa
O que eu te rogo de joelhos
Aqui do fundo de minhas sombras
É que na luz um dia tu esperes por mim
Como se a lógica do universo me esfregasse
De repente o rosto na vitrine da verdade:
A luz não dança onde a sombra faz morada
Não há portanto o que fazer senão deitar
Meu coração aos teus cuidados
À maestria do teu riso fácil que me arranca
Ao louco descompasso uma bela sinfonia
Mas se me permites agora enquanto há tempo
O abuso de um pedido:
Não quero que sofras se a vida me for justa
O que eu te rogo de joelhos
Aqui do fundo de minhas sombras
É que na luz um dia tu esperes por mim
sábado, 25 de outubro de 2014
Mudança
Hoje eu acordei pensando na República Tcheca.
Dominada pelo nazismo, sob a mão do Carniceiro de Praga, aquela nação ansiava por mudanças. Mas a sua libertação veio pelas mãos dos soviéticos: as câmaras de gás deram lugar à Cortina de Ferro...
Não é segredo que o país vem sendo depredado; que o governo é corrupto; que precisa de mudanças. Mas se existe uma lembrança que trago das aulas de História do Brasil é aquela frase antiga: "nada mais conservador que um liberal no poder; nada mais liberal que um conservador na oposição".
Provavelmente todo brasileiro está acostumado a saltar da frigideira e cair direto no fogo. E quando olho as opções que temos para o governo de nosso país, honestamente, fico apreensivo.
Há que se reconhecer a notável superioridade intelectual (e até carismática) de um candidato em relação ao outro. Contudo, um sussurro pessimista me alerta para a possibilidade de que o país deixe de ser estuprado à luz do dia para ser induzido a um coito forçado, na calada da noite, ao sabor de palavras bem estudadas, mas que não disfarçariam a realidade.
Porém a essa altura, conquanto viciada, a moeda já está no ar: é cara ou coroa. Só espero que, independentemente de governantes ou partidos, o Brasil mude de atitude. E que vença, portanto, o SER HUMANO que estiver mais propenso a buscar em si mesmo aquela virtude há muito esquecida - a dignidade.
Afinal de contas, como escreveu Quintana:
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
Dominada pelo nazismo, sob a mão do Carniceiro de Praga, aquela nação ansiava por mudanças. Mas a sua libertação veio pelas mãos dos soviéticos: as câmaras de gás deram lugar à Cortina de Ferro...
Não é segredo que o país vem sendo depredado; que o governo é corrupto; que precisa de mudanças. Mas se existe uma lembrança que trago das aulas de História do Brasil é aquela frase antiga: "nada mais conservador que um liberal no poder; nada mais liberal que um conservador na oposição".
Provavelmente todo brasileiro está acostumado a saltar da frigideira e cair direto no fogo. E quando olho as opções que temos para o governo de nosso país, honestamente, fico apreensivo.
Há que se reconhecer a notável superioridade intelectual (e até carismática) de um candidato em relação ao outro. Contudo, um sussurro pessimista me alerta para a possibilidade de que o país deixe de ser estuprado à luz do dia para ser induzido a um coito forçado, na calada da noite, ao sabor de palavras bem estudadas, mas que não disfarçariam a realidade.
Porém a essa altura, conquanto viciada, a moeda já está no ar: é cara ou coroa. Só espero que, independentemente de governantes ou partidos, o Brasil mude de atitude. E que vença, portanto, o SER HUMANO que estiver mais propenso a buscar em si mesmo aquela virtude há muito esquecida - a dignidade.
Afinal de contas, como escreveu Quintana:
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Quando todo o resto desabar
Como se a cortina do mundo
Tiver que descer ao fim do espetáculo
O que ficará gravado nas páginas do universo
Não serão os grandes feitos, como de heróis
Do cinema
Serão aqueles pequenos momentos
De pura e total singeleza
Em que deixamos a carne de lado
E vivemos de alma aberta
Com o coração gentilmente ofertado
A quem o mereça.
Como se a cortina do mundo
Tiver que descer ao fim do espetáculo
O que ficará gravado nas páginas do universo
Não serão os grandes feitos, como de heróis
Do cinema
Serão aqueles pequenos momentos
De pura e total singeleza
Em que deixamos a carne de lado
E vivemos de alma aberta
Com o coração gentilmente ofertado
A quem o mereça.
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