Se a chuva que se derrama a lavar sujas calçadas
Alcançasse a consciência dos homens
Não se fabricaria sequer um guarda-chuva
E todo mundo colecionaria trovoadas
Guardando nos bolsos uns relâmpagos também
Pra mais tarde, é claro, a hora escura
Quando a sujeira resistente costuma aparecer
Só que não é de nuvem a chuva que limpa a alma enferma
Ela vem do coração quebrado e vai jorrar pelos olhos
Tão somente quando a previsão é que se caia de joelhos
E se permita a sã tormenta do arrependimento
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
O Salvador
Às vezes eu queria ter algo muito importante pra falar e escrever – sem demora, inspirar alguém no mundo a resistir; insistir; transformar
Ser aquela estranha coincidência na vida de alguém, no momento mais que derradeiro
A pessoa que surge como a última cavalaria, o primeiro raio de sol
E estende mais que a mão: uma palavra! – aquela que tudo põe em perspectiva
Arranca o desespero e traz logo uma árvore de esperança bem frondosa
Mas eu só consigo puxar as letras do meu próprio alfabeto
E elas sempre se organizam a mendigar: paixão, paixão, paixão
O que isso tem de bom pra alguém?
Ninguém se alimenta ou se veste disso
Então quem sabe a minha sina é a insignificância do eterno apaixonado
Ter a alma nos lábios e o coração na ponta dos dedos
Esperando que venham ajudá-lo e não o contrário
Ser aquela estranha coincidência na vida de alguém, no momento mais que derradeiro
A pessoa que surge como a última cavalaria, o primeiro raio de sol
E estende mais que a mão: uma palavra! – aquela que tudo põe em perspectiva
Arranca o desespero e traz logo uma árvore de esperança bem frondosa
Mas eu só consigo puxar as letras do meu próprio alfabeto
E elas sempre se organizam a mendigar: paixão, paixão, paixão
O que isso tem de bom pra alguém?
Ninguém se alimenta ou se veste disso
Então quem sabe a minha sina é a insignificância do eterno apaixonado
Ter a alma nos lábios e o coração na ponta dos dedos
Esperando que venham ajudá-lo e não o contrário
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Relatividade danada
Desvendei o mistério do tempo!
Não é por maldade que ele corre na felicidade
E engatinha na tristeza
Por ser um tênue e delicado tecido
O espaço-tempo não pode ser controlado por ninguém
Pois quando estou só e tento puxar você pra perto de mim
Ele se esti...ca: o momento tarda a chegar
Mas quando finalmente estamos juntos
A gravidade do nosso abraço faz com que ele se dobre à nossa volta
Feito um cobertor
É assim que mal nos tocamos e a ponta do fim já encontra a do começo
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Mordido
É de se admirar o quanto a criação nos surpreende a cada momento. Sejam as estrelas ou os planetas, as flores e as borboletas, a obra divina vale mais que o mais louco dos sonhos. Tudo se encaixando no seu devido momento, tudo sendo aproveitado, sendo útil. E sem qualquer descuido com a beleza.
Mas eu quero falar da invenção preferida. Aquele toque mágico de Deus no encontro entre pessoas que se amam. Mesmo nesse finalmente inverno do Rio de Janeiro, que sempre chega atrasado e nunca pode se demorar muito, quando os tons de cinza aparecem no céu não mais azul e a alcateia dos ventos se comunica janela afora... ainda assim existe aquela chama por dentro, quando a gente pensa naquele coração.
Distante ou perto, presente ou exilado no país do não-mais, o amor sempre te pega desprevenido, quando se esgueira pela vida e te abraça de repente. O susto te desperta do pesadelo monótono do dia-a-dia e tua única preocupação é não cometer alguma loucura em plena rua, como ficar parado com o sinal aberto, rir e chorar ao mesmo tempo ou apenas sentar no meio-fio e esticar as pernas na Presidente Vargas, esperando o 422.
Como é bom amar alguém! Mas amar de verdade, quando tua única preocupação é ver essa pessoa feliz, reluzindo no universo. Quem tem o coração mordido jamais está só. Estica a alma além da cerca e vê aquela flor que deixou plantadinha no jardim, esperando o seu retorno.
Será que gravitamos em torno um do outro como as esferas? Não sei. Mas quando penso com amor, eu me sinto parte. Não sou mais um forasteiro, uma vírgula desgovernada em plena frase.
Enquanto houver alguém pra se amar, haverá razão. Mesmo que ela te falte na cabeça.
Mas eu quero falar da invenção preferida. Aquele toque mágico de Deus no encontro entre pessoas que se amam. Mesmo nesse finalmente inverno do Rio de Janeiro, que sempre chega atrasado e nunca pode se demorar muito, quando os tons de cinza aparecem no céu não mais azul e a alcateia dos ventos se comunica janela afora... ainda assim existe aquela chama por dentro, quando a gente pensa naquele coração.
Distante ou perto, presente ou exilado no país do não-mais, o amor sempre te pega desprevenido, quando se esgueira pela vida e te abraça de repente. O susto te desperta do pesadelo monótono do dia-a-dia e tua única preocupação é não cometer alguma loucura em plena rua, como ficar parado com o sinal aberto, rir e chorar ao mesmo tempo ou apenas sentar no meio-fio e esticar as pernas na Presidente Vargas, esperando o 422.
Como é bom amar alguém! Mas amar de verdade, quando tua única preocupação é ver essa pessoa feliz, reluzindo no universo. Quem tem o coração mordido jamais está só. Estica a alma além da cerca e vê aquela flor que deixou plantadinha no jardim, esperando o seu retorno.
Será que gravitamos em torno um do outro como as esferas? Não sei. Mas quando penso com amor, eu me sinto parte. Não sou mais um forasteiro, uma vírgula desgovernada em plena frase.
Enquanto houver alguém pra se amar, haverá razão. Mesmo que ela te falte na cabeça.
terça-feira, 3 de julho de 2012
"Entrenós"
O que importa é o entre:
As entrelinhas
O entrementes
E o entrelaço
Mas entre dois teus abraços
Que faço -
Se me acabo assim que tu me largas
E não me refaço mais?
Pois quando retornas sou outro
Que surge do caos
Em que me desfiz quando te perdi
E esse outro o que fará de novo
Pra que não haja outro jamais
Entrenós?
As entrelinhas
O entrementes
E o entrelaço
Mas entre dois teus abraços
Que faço -
Se me acabo assim que tu me largas
E não me refaço mais?
Pois quando retornas sou outro
Que surge do caos
Em que me desfiz quando te perdi
E esse outro o que fará de novo
Pra que não haja outro jamais
Entrenós?
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Mensageiro
Me deu vontade de escrever bonito
Criar belas imagens no coração da gente
Tecer alguns sonhos pra enfeitar essa realidade tão cinza
- Meu esforço de herói do meu próprio dia
Me deu vontade de criar a diferença
De inventar um novo todo diferente
Pra surpreender as velhas avós de olhar cansado e sofrido
Parado em alguma década perdida
Uma novidade boa é tudo que eu queria
Pra trazer na bolsa como lembrança da viagem
Que gostaria de ter feito ao paraíso
Onde o Pai me pegou no colo
E me olhou nos olhos, dizendo:
- Meu filho, meu filho... Tudo ficará bem
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Elegia ao Poeta
Sujeito bacana.
Quando nos conhecemos, ele já era poeta. Acho mesmo que já nascera assim. Tanto que todos o chamavam de "O Poeta", embora jamais o tenham visto escrever um poema sequer.
O mais próximo disso que testemunhei foi quando ele mijou versos nas águas de um lago. Estava em transe. Absorto numa febril criatividade. Quando terminou, perguntei-lhe o propósito daquilo, se nenhuma palavra ficaria pra posteridade. Ele me respondeu que a posteridade buscaria outra beleza. Aquela já tivera o seu momento e deveria ficar no passado. Em seguida me jogou na cara um punhado daquela água onde havia mijado. Filho da puta. Foi a primeira das muitas vezes em que saímos na porrada.
Engraçado que ele era um palito, só que batia feito um animal. Mas eu sempre dava o último soco. No começo, até me vangloriava disso.
Ele apenas sorria.
Com o passar do tempo, percebi a verdade. Quando lhe perguntei por que me enfiava a mão e depois baixava a guarda, ele apenas disse: “o último verso deve ferir o poeta”.
Sujeito maluco.
Tratava mulheres de razoável respeito com total desacato e se ajoelhava aos pés de uma prostituta vesga, chamada Zulmira.
Uma vez eu arrumei um encontro duplo. Estava saindo com uma colega de trabalho e combinamos ir a um bar. Mas ela queria que eu levasse um amigo para tentar desencalhar uma prima dela. Por Deus, eu juro que a última pessoa que me veio à mente foi o Poeta, mas nenhum de meus outros conhecidos estava disponível.
Mas tive uma surpresa. Ele se comportou adoravelmente. Um gentleman. Fiquei tão orgulhoso que tomei coragem para deixá-lo a sós com a prima: tirei minha dama pra dançar.
Não demorou muito e escutei um burburinho. Quando olhei pra mesa, estava o Poeta sozinho, de pé, com o rosto encharcado de vodka e o zíper da calça aberto...
No caminho de volta, (é claro que também acabei sozinho naquela noite), enquanto me segurava pra não dar uma porrada naquele infeliz, eis que ele para no meio do caminho e se abaixa, aos prantos. Quando cheguei perto pra ver o que era, havia uma rosa no chão – enfeitada para presente, mas largada no chão, já moribunda. O Poeta pegou-a com um carinho sacerdotal e abraçou-a como a um bebê, enquanto murmurava entre os dentes:
- Nenhuma rosa deve morrer sem plateia...
Só voltei a encontrá-lo uns três dias depois. Não quis lhe perguntar nada, mas tenho quase certeza de que velou a rosa até que murchasse completamente.
Sujeito inédito.
E o trabalho? Até hoje não sei ao certo como ele vivia. Passava uns apertos de grana, pedia emprestado, mas sempre pagava no prazo que dava. Zulmira estava cansada de por o atendimento na conta. Por ela, então, o desgraçado assaltaria um banco pra não ficar lhe devendo. E bem que poderia ser um ladrão de bancos. Ou assassino de aluguel.
Sei apenas que o seu maior desejo era morrer de cirrose ou sífilis. Por nenhum sentido trágico. Segundo ele, seria apenas lógico, pela vida que levava. Mas creio que temia ser tragado pelo tédio e, assim, queria morrer jovem.
O problema é que o desgraçado tinha uma saúde de ferro. Só pegava gonorreia e gripe. Aliás, nem gripe.
E desse jeito acabou chegando à madureza e à velhice. Não veio sífilis, nem cirrose, mas saudade. Foi duro vê-lo chorar a morte de Zulmira e de tantas outras rosas de que se fez de plateia.
Ah, as flores. Sempre fiéis companheiras. O asilo em que foi morar possuía um jardim muito belo, com até mesmo um roseiral. E era ali que passava a maior parte do dia e, não raro, da noite.
Pensei que fosse chegar o tédio enfim. Mas nem isso. O Poeta tinha um remédio infalível: vivia constantemente apaixonado. Jurava que Zulmira tinha virado um passarinho e que vinha lhe visitar todas as manhãs.
- Te juro! – ele dizia – Ele tem os olhos de Zulmira!
Eu apenas concordava pra não criar desassossego - fazia tempo que não nos dávamos umas boas porradas. Mas a ideia do passarinho realmente era ambígua. Senilidade ou simplesmente o Poeta?
Porém eu já era velho demais para tentar entendê-lo. Deixei pra lá, assim como as enfermeiras não ligavam pras suas declarações de amor e convites a uma literal sacanagem.
Sujeito devasso.
Até o fim.
Um belo dia, quando fui visitá-lo, encontrei o quarto vazio. Saí a inquirir o povo todo, mas ninguém sabia do seu paradeiro. Indicaram-me, é claro, o roseiral, pois vivia lá. Contudo, tive um mau pressentimento. O Poeta nunca se atrasava na minha hora de visita...
Quando o encontrei deitado na relva, já estava morto. E nu - debaixo do roseiral. Eu tive que sorrir. Uma plateia de rosas me pareceu bem adequada à ocasião.
Então me sentei ao seu lado e chorei de uma saudade terrível. O mundo jamais seria o mesmo sem aquele defeito simpático. Sem o meu amigo. Sem o Poeta.
Mas quando abri os olhos para partir, vi saltitar na relva um passarinho, piando bem de leve, como a não querer acordar o defunto. Por fim, deu um último pulinho e pousou no peito do Poeta. Cantou como um anjo e se foi para o céu.
Pode ter sido a emoção do momento, mas eu juro que o bichinho era meio vesgo.
Quando nos conhecemos, ele já era poeta. Acho mesmo que já nascera assim. Tanto que todos o chamavam de "O Poeta", embora jamais o tenham visto escrever um poema sequer.
O mais próximo disso que testemunhei foi quando ele mijou versos nas águas de um lago. Estava em transe. Absorto numa febril criatividade. Quando terminou, perguntei-lhe o propósito daquilo, se nenhuma palavra ficaria pra posteridade. Ele me respondeu que a posteridade buscaria outra beleza. Aquela já tivera o seu momento e deveria ficar no passado. Em seguida me jogou na cara um punhado daquela água onde havia mijado. Filho da puta. Foi a primeira das muitas vezes em que saímos na porrada.
Engraçado que ele era um palito, só que batia feito um animal. Mas eu sempre dava o último soco. No começo, até me vangloriava disso.
Ele apenas sorria.
Com o passar do tempo, percebi a verdade. Quando lhe perguntei por que me enfiava a mão e depois baixava a guarda, ele apenas disse: “o último verso deve ferir o poeta”.
Sujeito maluco.
Tratava mulheres de razoável respeito com total desacato e se ajoelhava aos pés de uma prostituta vesga, chamada Zulmira.
Uma vez eu arrumei um encontro duplo. Estava saindo com uma colega de trabalho e combinamos ir a um bar. Mas ela queria que eu levasse um amigo para tentar desencalhar uma prima dela. Por Deus, eu juro que a última pessoa que me veio à mente foi o Poeta, mas nenhum de meus outros conhecidos estava disponível.
Mas tive uma surpresa. Ele se comportou adoravelmente. Um gentleman. Fiquei tão orgulhoso que tomei coragem para deixá-lo a sós com a prima: tirei minha dama pra dançar.
Não demorou muito e escutei um burburinho. Quando olhei pra mesa, estava o Poeta sozinho, de pé, com o rosto encharcado de vodka e o zíper da calça aberto...
No caminho de volta, (é claro que também acabei sozinho naquela noite), enquanto me segurava pra não dar uma porrada naquele infeliz, eis que ele para no meio do caminho e se abaixa, aos prantos. Quando cheguei perto pra ver o que era, havia uma rosa no chão – enfeitada para presente, mas largada no chão, já moribunda. O Poeta pegou-a com um carinho sacerdotal e abraçou-a como a um bebê, enquanto murmurava entre os dentes:
- Nenhuma rosa deve morrer sem plateia...
Só voltei a encontrá-lo uns três dias depois. Não quis lhe perguntar nada, mas tenho quase certeza de que velou a rosa até que murchasse completamente.
Sujeito inédito.
E o trabalho? Até hoje não sei ao certo como ele vivia. Passava uns apertos de grana, pedia emprestado, mas sempre pagava no prazo que dava. Zulmira estava cansada de por o atendimento na conta. Por ela, então, o desgraçado assaltaria um banco pra não ficar lhe devendo. E bem que poderia ser um ladrão de bancos. Ou assassino de aluguel.
Sei apenas que o seu maior desejo era morrer de cirrose ou sífilis. Por nenhum sentido trágico. Segundo ele, seria apenas lógico, pela vida que levava. Mas creio que temia ser tragado pelo tédio e, assim, queria morrer jovem.
O problema é que o desgraçado tinha uma saúde de ferro. Só pegava gonorreia e gripe. Aliás, nem gripe.
E desse jeito acabou chegando à madureza e à velhice. Não veio sífilis, nem cirrose, mas saudade. Foi duro vê-lo chorar a morte de Zulmira e de tantas outras rosas de que se fez de plateia.
Ah, as flores. Sempre fiéis companheiras. O asilo em que foi morar possuía um jardim muito belo, com até mesmo um roseiral. E era ali que passava a maior parte do dia e, não raro, da noite.
Pensei que fosse chegar o tédio enfim. Mas nem isso. O Poeta tinha um remédio infalível: vivia constantemente apaixonado. Jurava que Zulmira tinha virado um passarinho e que vinha lhe visitar todas as manhãs.
- Te juro! – ele dizia – Ele tem os olhos de Zulmira!
Eu apenas concordava pra não criar desassossego - fazia tempo que não nos dávamos umas boas porradas. Mas a ideia do passarinho realmente era ambígua. Senilidade ou simplesmente o Poeta?
Porém eu já era velho demais para tentar entendê-lo. Deixei pra lá, assim como as enfermeiras não ligavam pras suas declarações de amor e convites a uma literal sacanagem.
Sujeito devasso.
Até o fim.
Um belo dia, quando fui visitá-lo, encontrei o quarto vazio. Saí a inquirir o povo todo, mas ninguém sabia do seu paradeiro. Indicaram-me, é claro, o roseiral, pois vivia lá. Contudo, tive um mau pressentimento. O Poeta nunca se atrasava na minha hora de visita...
Quando o encontrei deitado na relva, já estava morto. E nu - debaixo do roseiral. Eu tive que sorrir. Uma plateia de rosas me pareceu bem adequada à ocasião.
Então me sentei ao seu lado e chorei de uma saudade terrível. O mundo jamais seria o mesmo sem aquele defeito simpático. Sem o meu amigo. Sem o Poeta.
Mas quando abri os olhos para partir, vi saltitar na relva um passarinho, piando bem de leve, como a não querer acordar o defunto. Por fim, deu um último pulinho e pousou no peito do Poeta. Cantou como um anjo e se foi para o céu.
Pode ter sido a emoção do momento, mas eu juro que o bichinho era meio vesgo.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Tantas lágrimas espalhamos sobre mil e mais dores
E em todo canto enxergamos a sombra do que existe
Sorrindo sempre de nossas vãs tentativas
De acreditar que há um sentido em tudo isso
E os anos passam como estações atrás dos olhos
Nascendo, ardendo, se desfolhando e morrendo
Enquanto pensamos que amanhã seremos heróis
Ou talvez daqui a um minuto, a qualquer momento
Mas um dia acordamos árvores
Alguma coisa mudou - envelhecemos
E apenas criamos mais e mais raízes
Por isso me peça pra correr, voar ou mesmo desaparecer
Mas não me diga pra viver unitário - só eu!
Que o pouco tanto que me importa não pode se perder
E em todo canto enxergamos a sombra do que existe
Sorrindo sempre de nossas vãs tentativas
De acreditar que há um sentido em tudo isso
E os anos passam como estações atrás dos olhos
Nascendo, ardendo, se desfolhando e morrendo
Enquanto pensamos que amanhã seremos heróis
Ou talvez daqui a um minuto, a qualquer momento
Mas um dia acordamos árvores
Alguma coisa mudou - envelhecemos
E apenas criamos mais e mais raízes
Por isso me peça pra correr, voar ou mesmo desaparecer
Mas não me diga pra viver unitário - só eu!
Que o pouco tanto que me importa não pode se perder
sexta-feira, 4 de maio de 2012
"Devolva-me"
No ondular de um veleiro vogando no mar da memória
A canção me volta aos ouvidos qual gaivota perdida
Por mais que o tempo me tenha dividido e mudado
Ainda sobrevive uma parte que guardei só minha
- Um dia eu velejei pra longe com fome de ser livre
E me abracei ao mar com saudades tuas
A canção me volta aos ouvidos qual gaivota perdida
Por mais que o tempo me tenha dividido e mudado
Ainda sobrevive uma parte que guardei só minha
- Um dia eu velejei pra longe com fome de ser livre
E me abracei ao mar com saudades tuas
segunda-feira, 19 de março de 2012
Não te prometo o tempo todo
Que ninguém sabe o tempo que se tem
Mas te garanto minha posse, meu reinado como um todo
No momento em que for teu – serei de mais ninguém
E se acabar este segundo
Nem por isso fiques triste ou - pior! - magoada
Pois meu passado não se apaga nem se perde no olvido
É folha escrita e arquivada no diário do universo
E assim tua lembrança para sempre ficará
Na terra do meu desejo, qual brasa ainda acesa
E o punhal da tua saudade se abrigará em meu coração
Bebendo dele toda lágrima sem nunca matar a sede
Que ninguém sabe o tempo que se tem
Mas te garanto minha posse, meu reinado como um todo
No momento em que for teu – serei de mais ninguém
E se acabar este segundo
Nem por isso fiques triste ou - pior! - magoada
Pois meu passado não se apaga nem se perde no olvido
É folha escrita e arquivada no diário do universo
E assim tua lembrança para sempre ficará
Na terra do meu desejo, qual brasa ainda acesa
E o punhal da tua saudade se abrigará em meu coração
Bebendo dele toda lágrima sem nunca matar a sede
sexta-feira, 9 de março de 2012
Segredo
E foram rosas e lágrimas
Abraços de um aperto gravitacional
Um universo paralelo só nosso
Por mais que o tempo saia por aí agora
Transformando realidade em lembrança
Teu olhar em qualquer multidão reconheço
Que toda a vida nossa ainda existe em algum sonho
Numa ponte entre duas infinitas solidões
O abrigo perfeito para o mais doce dos segredos
Abraços de um aperto gravitacional
Um universo paralelo só nosso
Por mais que o tempo saia por aí agora
Transformando realidade em lembrança
Teu olhar em qualquer multidão reconheço
Que toda a vida nossa ainda existe em algum sonho
Numa ponte entre duas infinitas solidões
O abrigo perfeito para o mais doce dos segredos
segunda-feira, 5 de março de 2012
Amigo II
Foi difícil te encontrar, se foi
E quando te encontrei, não ficou mais simples
Eram tantos fatores que precisavam de ajustes
Tantos segredos a serem descobertos em nossos cosmos
- Cada amizade decretada é uma tremenda vitória!
E então te passei a escritura de uma unidade do meu coração
Edifício povoado, mas com a melhor vizinhança possível
E me pego sempre a observar as janelas acesas – um espetáculo!
Quase tão belo como o céu e suas estrelas
(Obviamente, a comparação é justa só pra mim)
Mas vem essa grandeza universal absurda, essa tal de VIDA,
Simplesmente revirando tudo entre os dedos
Jogando presentes e futuros de mão em mão
E assim vejo meus amigos cansados, desiludidos
Querendo fugir no tempo, no espaço, na existência
A vontade que me dá é de resolver tudo
Mas descubro a minha impotência perante a VIDA
E só o que posso fazer é te berrar
-Desce pro play!
E fazer uma festa noite adentro
Porque o meu maior pavor é ver tua luz apagada
E tua casa vazia no meu peito
Que outras janelas estarão acesas e muitas outras surgirão
Mas aquele pontinho escuro, teu lar, será minha dor
Já que a saudade ocupará o teu lugar.
E quando te encontrei, não ficou mais simples
Eram tantos fatores que precisavam de ajustes
Tantos segredos a serem descobertos em nossos cosmos
- Cada amizade decretada é uma tremenda vitória!
E então te passei a escritura de uma unidade do meu coração
Edifício povoado, mas com a melhor vizinhança possível
E me pego sempre a observar as janelas acesas – um espetáculo!
Quase tão belo como o céu e suas estrelas
(Obviamente, a comparação é justa só pra mim)
Mas vem essa grandeza universal absurda, essa tal de VIDA,
Simplesmente revirando tudo entre os dedos
Jogando presentes e futuros de mão em mão
E assim vejo meus amigos cansados, desiludidos
Querendo fugir no tempo, no espaço, na existência
A vontade que me dá é de resolver tudo
Mas descubro a minha impotência perante a VIDA
E só o que posso fazer é te berrar
-Desce pro play!
E fazer uma festa noite adentro
Porque o meu maior pavor é ver tua luz apagada
E tua casa vazia no meu peito
Que outras janelas estarão acesas e muitas outras surgirão
Mas aquele pontinho escuro, teu lar, será minha dor
Já que a saudade ocupará o teu lugar.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Estou...
Há um tempo que ignoro
Assim como o amanhã
Seria isso o ser?
Talvez seja demais esperar
Não que tudo seja estático
Mas esperar que toda mudança
Te agrade é sinal de infância
E criança já não estou
?
Então mudamos. Fato
E o paradoxo da vida te assalta
Quando as novas células se olham
No espelho e vêem o passado
Novamente ali. Exposto. Escondido. Ignoradamente novo
Como o sol que brilha nesse outono
Exatamente o mesmo dos invernos passados
Há um tempo que ignoro
Assim como o amanhã
Seria isso o ser?
Talvez seja demais esperar
Não que tudo seja estático
Mas esperar que toda mudança
Te agrade é sinal de infância
E criança já não estou
?
Então mudamos. Fato
E o paradoxo da vida te assalta
Quando as novas células se olham
No espelho e vêem o passado
Novamente ali. Exposto. Escondido. Ignoradamente novo
Como o sol que brilha nesse outono
Exatamente o mesmo dos invernos passados
Continuo
Em tudo posso ver o azul que me envolve
Abraço, beijo e colo divino a me embalar
Paterno e Absoluto, Justo e Bom
Na tarefa difícil de me manter de pé
Mesmo quando a luta só me quer deitado
Submisso à enormidade que me pesa aos
Ombros frágeis, quando, só, enfrento a vida e
Ela me bate sem dó, na sádica tortura do dia
Após dia após dia após dia
Em tudo posso vê-lo, na perene e plácida fluidez
Do universo infinito, em meio a buracos-negros e supernovas
Explodindo, morrendo, surgindo, mudando e permanecendo
Existindo.
É quando percebo a mensagem que me envia
Dos confins do universo, aqui do lado:
O céu continua azul no tempo e no espaço
Acima das nuvens e depois delas
Assim como algo em mim também continua
Abraço, beijo e colo divino a me embalar
Paterno e Absoluto, Justo e Bom
Na tarefa difícil de me manter de pé
Mesmo quando a luta só me quer deitado
Submisso à enormidade que me pesa aos
Ombros frágeis, quando, só, enfrento a vida e
Ela me bate sem dó, na sádica tortura do dia
Após dia após dia após dia
Em tudo posso vê-lo, na perene e plácida fluidez
Do universo infinito, em meio a buracos-negros e supernovas
Explodindo, morrendo, surgindo, mudando e permanecendo
Existindo.
É quando percebo a mensagem que me envia
Dos confins do universo, aqui do lado:
O céu continua azul no tempo e no espaço
Acima das nuvens e depois delas
Assim como algo em mim também continua
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Poema de Saudade
Não! Não vou dizer que sofro
E muito menos pedir que voltes
Tenho orgulho
Sufoco meus gemidos
Mas vou escrever teu nome no meu peito
E me crucificar no Largo da Carioca
Às treze horas de segunda. Não. De terça
Todos estão mortos nas segundas...
E quando o vento te levar pedaços dessa alma
Quero que de teus olhos se derrame uma lágrima
- Bem salgada
Por saberes que enfim caí - morto de tua ausência.
E muito menos pedir que voltes
Tenho orgulho
Sufoco meus gemidos
Mas vou escrever teu nome no meu peito
E me crucificar no Largo da Carioca
Às treze horas de segunda. Não. De terça
Todos estão mortos nas segundas...
E quando o vento te levar pedaços dessa alma
Quero que de teus olhos se derrame uma lágrima
- Bem salgada
Por saberes que enfim caí - morto de tua ausência.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Como se não houvesse mais tempo
Eu te procuro entre velhas memórias
O mais próximo de ti que tenho agora
E tento me apegar a qualquer mínima faísca
Qualquer coisa que acenda e me diga
O quanto estás presente em mim agora e sempre
Como se não houvesse mais tempo
Eu te procuro...
E mesmo que não te encontre
(E volte a ser triste)
Apenas o saber que poderia ter cara e não coroa
Já me deu um tanto de oxigênio pra vida que persiste.
Eu te procuro entre velhas memórias
O mais próximo de ti que tenho agora
E tento me apegar a qualquer mínima faísca
Qualquer coisa que acenda e me diga
O quanto estás presente em mim agora e sempre
Como se não houvesse mais tempo
Eu te procuro...
E mesmo que não te encontre
(E volte a ser triste)
Apenas o saber que poderia ter cara e não coroa
Já me deu um tanto de oxigênio pra vida que persiste.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Essência
É impressão minha ou existe algo mais nesse mundo?
Mais que o dúbio acaso ou que um destino traçado
Algo mais! Simplesmente mais! Como um desejo impiedoso...
Talvez seja o segredo
Aquele que os idosos compartilham no olhar
Ou quem sabe será um lamento da magia perdida?
(Ou um chute da ciência embrionária?)
Ah, misteriosa entrelinha da vida!
És quase tão indefinível e translúcida
Quanto estar apaixonado
Sutil e obviamente apaixonado
Mais que o dúbio acaso ou que um destino traçado
Algo mais! Simplesmente mais! Como um desejo impiedoso...
Talvez seja o segredo
Aquele que os idosos compartilham no olhar
Ou quem sabe será um lamento da magia perdida?
(Ou um chute da ciência embrionária?)
Ah, misteriosa entrelinha da vida!
És quase tão indefinível e translúcida
Quanto estar apaixonado
Sutil e obviamente apaixonado
Triste Sina
Quem pelos braços me passa
De mim sempre leva um pedaço
E me deixa no tempo suspenso
Velha foto de um suspiro
Tal coisa perdida num fundo baú
De que ninguém mais sente falta
Mas que um dia já foi preciosa
De mim sempre leva um pedaço
E me deixa no tempo suspenso
Velha foto de um suspiro
Tal coisa perdida num fundo baú
De que ninguém mais sente falta
Mas que um dia já foi preciosa
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