sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mordido

É de se admirar o quanto a criação nos surpreende a cada momento. Sejam as estrelas ou os planetas, as flores e as borboletas, a obra divina vale mais que o mais louco dos sonhos. Tudo se encaixando no seu devido momento, tudo sendo aproveitado, sendo útil. E sem qualquer descuido com a beleza.

Mas eu quero falar da invenção preferida. Aquele toque mágico de Deus no encontro entre pessoas que se amam. Mesmo nesse finalmente inverno do Rio de Janeiro, que sempre chega atrasado e nunca pode se demorar muito, quando os tons de cinza aparecem no céu não mais azul e a alcateia dos ventos se comunica janela afora... ainda assim existe aquela chama por dentro, quando a gente pensa naquele coração.

Distante ou perto, presente ou exilado no país do não-mais, o amor sempre te pega desprevenido, quando se esgueira pela vida e te abraça de repente. O susto te desperta do pesadelo monótono do dia-a-dia e tua única preocupação é não cometer alguma loucura em plena rua, como ficar parado com o sinal aberto, rir e chorar ao mesmo tempo ou apenas sentar no meio-fio e esticar as pernas na Presidente Vargas, esperando o 422.

Como é bom amar alguém! Mas amar de verdade, quando tua única preocupação é ver essa pessoa feliz, reluzindo no universo. Quem tem o coração mordido jamais está só. Estica a alma além da cerca e vê aquela flor que deixou plantadinha no jardim, esperando o seu retorno.

Será que gravitamos em torno um do outro como as esferas? Não sei. Mas quando penso com amor, eu me sinto parte. Não sou mais um forasteiro, uma vírgula desgovernada em plena frase.

Enquanto houver alguém pra se amar, haverá razão. Mesmo que ela te falte na cabeça.

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