Cientistas do observatório espacial Herschel deduziram que o acúmulo de vapor d’água em torno da gigante vermelha IRC + 10216 é causado por radiação infravermelha. Segundo os estudiosos, os raios emitidos por estrelas adjacentes atingiriam o cinturão de poeira que circunda a gigante vermelha, decompondo moléculas de monóxido de carbono e outros compostos, liberando oxigênio. Este se ligaria a moléculas de Hidrogênio e pronto! Água no espaço.
Mas aonde quero chegar com isso?
Deus consegue retirar água de pedra. De pedras espaciais.
E nós? O que fazemos?
Com que propósito criamos?
Seria apenas para o deleite do nosso ego? Seria só uma natural manifestação do espírito?
Nesse momento em que observo o caminho à frente, percebo que toda criação do homem deveria sonhar em ser perfeita como a d’Ele. Pudera eu inserir um código, uma lei invisível em minhas letras; uma radiação qualquer, um sopro, um canto.
E quando tu me lesses, minha luz devassaria teu íntimo, quebrando toda molécula de tristeza, dor e solidão, gerando em lugar um torpor de beleza, a embriaguez da esperança. As estrelas em teu olhar, em vez de vapor, manariam lágrimas – estado da água produzido apenas pelo coração.
E tu suspirarias... Diante do horizonte, lançarias um beijo ao infinito, caminhando de alma leve e apaixonada.
As letras, com o tempo, ficariam no chão das tuas memórias, no ocaso de teu peito. Mas a minha luz, o meu canto – ah! Isso tu levarias sem que soubesses, como sempre carregamos as partículas divinas que nos visitam.
Contudo, são elas que nos fazem o sol nascer nos dias frios. E nos trazem chuva, quando temos sede.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Deus, estrelas, poesia

Sou da astronomia um colega distante. Colega não, admirador. Conheço-a de vista, mas ela nem sabe o meu nome. É que a minha inteligência é igual àquele garoto tímido que ama platonicamente a menina mais bonita da escola. Ai, essas musas tão distantes!
Fascinam-me não só as jóias que se estampam no escuro da noite, mas as imagens de quasares, galáxias, nebulosas. Quanta maestria na dança do universo! Que beleza e força!
Não vejo como olhar o céu e não pensar em Deus. Que outra mão projetaria tudo isso? E logo dá uma vontade marota de entrar em uma espaçonave e admirar a minha Terra – esse globo azul tão fotogênico.
Ah, Mãe-Terra, como te maltratamos com guerras, lixo e descaso! Tu e tuas irmãs-estrelas refletem a grandeza do Pai em vossa formosura. Como dói ver-te assim: abandonada.
Se ao menos tivéssemos - os homens - o dom da poesia, enxergaríamos o belo em toda coisa e circunstância. Não só na lonjura dos espaços imaginados, mas em qualquer das pequeninas criações, veríamos Deus. E amaríamos tudo, porque tudo reflete a perfeição.
E por que misturo astronomia, poesia e Deus? Simples, tirando a física, poetas e astrônomos são os mesmos apaixonados, que se põem a vagar pelo céu noturno. Afinal, só contempla estrelas quem já se perdeu no olhar de uma mulher. E para ver Deus, é preciso amar primeiro.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Perdão (tomara que chegue até você)
Eu corri por anos inteiros. Fugi, como se me fosse possível estancar o sangue derramado.
Mas cá estamos.
Ignoro se meus espinhos ainda amam tua carne. Nem mesmo sei quão fundo te encontraram. Mas eu sangrei.
Meu vício é tão nocivo quanto um delírio. Teço uma teia de flores e de encantos. Agarro-me qual simbionte ao teu amor até que fiques indefesa. Então te aplico o ferrão do abandono.
Mais de uma década me custou entender isso. E só o pude, graças à ferida que te causei, que ainda me sangra.
Porém não o fiz por mal. Não o faço. É minha natureza fugaz. Ardo com uma intensidade só comparada ao tédio com que me apago. E as cinzas - ah! as cinzas do remorso... elas me consomem.
Um dia, valha-me Deus, estarei de novo à tua frente. Mas só quando puder enfrentar a dor que nos causei e consiga perdoar a mim mesmo.
Até lá, não descreias: os maus também choram. E cada lágrima é um passo à regeneração.
Mas cá estamos.
Ignoro se meus espinhos ainda amam tua carne. Nem mesmo sei quão fundo te encontraram. Mas eu sangrei.
Meu vício é tão nocivo quanto um delírio. Teço uma teia de flores e de encantos. Agarro-me qual simbionte ao teu amor até que fiques indefesa. Então te aplico o ferrão do abandono.
Mais de uma década me custou entender isso. E só o pude, graças à ferida que te causei, que ainda me sangra.
Porém não o fiz por mal. Não o faço. É minha natureza fugaz. Ardo com uma intensidade só comparada ao tédio com que me apago. E as cinzas - ah! as cinzas do remorso... elas me consomem.
Um dia, valha-me Deus, estarei de novo à tua frente. Mas só quando puder enfrentar a dor que nos causei e consiga perdoar a mim mesmo.
Até lá, não descreias: os maus também choram. E cada lágrima é um passo à regeneração.
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