Nasci sob uma estrela toda indiferente
E por nada esse mundo não me satisfaz.
Meus olhos não têm foco no lado de fora.
Só escuto a tormenta que aqui dentro faz.
Minha boca quase nunca tem o que dizer
Pois só ao coração prefere responder.
Mas essa pedra que me bate pela alma afora
É feita de granito com mel de recheio.
E sempre que suspiro por todos os poros
E me estremeço como gelo tivesse no sangue,
Sei que é a pedra que se racha ao meio.
Sei que é a emoção que começo a viver.
Mas como não sei bem do que ela foi feita
Nem o que de mim ela me quer fazer,
Me contraio como o ventre de um grande vulcão
E descubro que essa bomba que ora me percorre
É o sussurro de um anjo de inspiração.
E quando pego no caderno sinto que me escorrem
Lágrimas do braço e mel do coração.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Um pouco de saudade
É tudo tão escuro quando ela se vai.
Em meio ao povo eu caminho sem alma, pesado, como se a pureza do mundo me fora roubada.
Estar só é estar sem ela.
A solidão só faz sentido quando nos despedimos.
Vazio.
É belo dizer que nunca me vejo abandonado porque trago alguém no coração. Mas é falso. A distância perfura o peito que só traz uma ideia.
Viver com uma ideia não é coisa minha. É para quem vive de sutilezas. Dessas eu bebo e me embebedo, mas é da presença que me alimento.
Consigo até fingir a força e me dizer que posso viver em mim. Mas é só um placebo para o cancro da solitude, que devora.
Quero mesmo é ter-lhe a cabeça recostada no meu peito. Afastar-lhe dos olhos aquele fio de cabelo, teimoso, e prendê-lo atrás da orelha. Afundar meus lábios em seu rosto e sentir cada parte do meu corpo em contato com o seu. Mãos e mãos, pés e pés, pele a pele.
Quero tê-la ao meu lado. No coração, apenas, não basta.
Lembranças tenho do que já tive. Se é para viver disso, de que importa existir? A vida é para frente. É progresso.
A ideia que tenho só não dói se for vivida.
O resto é apenas o sol se pondo.
Em meio ao povo eu caminho sem alma, pesado, como se a pureza do mundo me fora roubada.
Estar só é estar sem ela.
A solidão só faz sentido quando nos despedimos.
Vazio.
É belo dizer que nunca me vejo abandonado porque trago alguém no coração. Mas é falso. A distância perfura o peito que só traz uma ideia.
Viver com uma ideia não é coisa minha. É para quem vive de sutilezas. Dessas eu bebo e me embebedo, mas é da presença que me alimento.
Consigo até fingir a força e me dizer que posso viver em mim. Mas é só um placebo para o cancro da solitude, que devora.
Quero mesmo é ter-lhe a cabeça recostada no meu peito. Afastar-lhe dos olhos aquele fio de cabelo, teimoso, e prendê-lo atrás da orelha. Afundar meus lábios em seu rosto e sentir cada parte do meu corpo em contato com o seu. Mãos e mãos, pés e pés, pele a pele.
Quero tê-la ao meu lado. No coração, apenas, não basta.
Lembranças tenho do que já tive. Se é para viver disso, de que importa existir? A vida é para frente. É progresso.
A ideia que tenho só não dói se for vivida.
O resto é apenas o sol se pondo.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Sim, é contigo mesmo!
Por que esse desprezo me votas?
Que te fiz, senão te olhar?
E se te olhei foi por tua graça,
Que a todo olhar encanta e arrasta!
Por que tanta surpresa,
Se te floresces à primavera?
Se queres esconder tua beleza,
Anda nua sob um véu!
E nada de transparências ou justezas!
Serás botão no jardim das delícias.
E enquanto te guardas ao Futuro,
Ele se encanta na vaidade alheia.
Entenda:
Não te olho como o lobo que sou,
Mas como o poeta a que aspiro.
E se tenho as presas do desejo,
Quero a pena do suspiro!
Mas não te enganes, tampouco!
Não quero que me olhes de volta
Ou que me retornes um sorriso!
Apenas passa! E não finjas que incomodo!
Afinal, vivo à poesia, mas não deixo de ser lobo.
E se ora escrevo à tua beleza e canto à tua graça,
Se me pedires com jeito, largo a pena e mordo!
Que te fiz, senão te olhar?
E se te olhei foi por tua graça,
Que a todo olhar encanta e arrasta!
Por que tanta surpresa,
Se te floresces à primavera?
Se queres esconder tua beleza,
Anda nua sob um véu!
E nada de transparências ou justezas!
Serás botão no jardim das delícias.
E enquanto te guardas ao Futuro,
Ele se encanta na vaidade alheia.
Entenda:
Não te olho como o lobo que sou,
Mas como o poeta a que aspiro.
E se tenho as presas do desejo,
Quero a pena do suspiro!
Mas não te enganes, tampouco!
Não quero que me olhes de volta
Ou que me retornes um sorriso!
Apenas passa! E não finjas que incomodo!
Afinal, vivo à poesia, mas não deixo de ser lobo.
E se ora escrevo à tua beleza e canto à tua graça,
Se me pedires com jeito, largo a pena e mordo!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Realidade
Quando me sento, às tardes ensolaradas
Desta vida ainda jovem e tão nublada,
Me vem um desejo louco, uma vontade sombria
De olhar o nada a fundo e compreender.
Por que existe essa membrana invisível,
Essa teia que me prende e submete,
Esperando o ataque anunciado, o golpe iminente
Da besta que sempre me espreita?
Que peso é este que me abate os ombros,
Que me chumba ao solo e me exige, a andar,
Um passo falso, vacilante, da serpente o rastejar?
Quando me sento, às tardes ensolaradas,
A mente voa para o nada aqui dentro
E só não cai a lágrima, porque não a compreendo.
Desta vida ainda jovem e tão nublada,
Me vem um desejo louco, uma vontade sombria
De olhar o nada a fundo e compreender.
Por que existe essa membrana invisível,
Essa teia que me prende e submete,
Esperando o ataque anunciado, o golpe iminente
Da besta que sempre me espreita?
Que peso é este que me abate os ombros,
Que me chumba ao solo e me exige, a andar,
Um passo falso, vacilante, da serpente o rastejar?
Quando me sento, às tardes ensolaradas,
A mente voa para o nada aqui dentro
E só não cai a lágrima, porque não a compreendo.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Precisamos Conversar...
Pega essa rosa, minha amiga,
É tua.
Pensei num buquê, cheio de cor e perfume,
Mas queria que fosse a rosa como te quero:
Una.
Como dói ver-te assim – enamorada!
Tu amas um ser encolhido, em gestação.
Uma besta de muitos ardis e tolos planos,
Uma Hidra de plural paixão.
Cada mente que possuo, cada face,
Existe em seu próprio universo.
Sente e toca; pensa e ama.
E o corpo – onde fica? Aonde vai?
Tens sido fiel, minha musa, e digo mais:
Como nunca logrei.
Fui adúltero. Infiel de tua presença.
Réu, confesso: outras vidas tentei.
Mas, sem forjar remorso, explico:
Cada face é domada por sonho distinto.
Esses todos que sou (nada) não se calam
E nem se extinguem.
Mas tu, amada! Nunca me abandonaste!
Sufoquei-te em cores, sob mil andrajos!
Abafei teu canto doce ante notas carnais!
E sempre, no fundo, lá estavas!
Não me condenes, se puderes.
O mal que te fiz – faço por ciúmes!
Conheço-te, anjo! Quimera! Meretriz!
Teus leitos são muitos! Teu peito é o mundo!
És fiel em tua presença, jamais em teu amor!
Outras juras eu leio de grandes nomes passados.
Rivais meus, sim, e ainda assim idolatrados!
Trabalham-te, como Deus à natureza.
Cada letra, cada verso - é amor! A Beleza!
E eu, inseguro eu?
Tenho medo.
Não sei que em mim vês.
Ofereço-te jóias daninhas.
Rosas brutas e mesquinhas,
De rubras pétalas, mas frias.
E amo tanto a tua presença!
Amo tanto, que te afasto! Fujo! E me guardo!
Tu me ofuscas as mãos trêmulas e inábeis,
Que em vão passeiam por teu ser sublime,
Nesse roto afago, nesse beijo amargo!
Abandona-me, Afrodite!
Até que a tinta me seques do peito
E me quebres a pena já tão torta!
Onde pus a cabeça, que me arrisquei
[a te seguir?
Por que não te abandono de vez?
Tenho mil faces, já disse! Amo outras, confesso!
Mas n’alma sou tão tolo, e tão cego e tão louco,
Que ouso sonhar em ter nome e, por isso,
Escrevo.
É tua.
Pensei num buquê, cheio de cor e perfume,
Mas queria que fosse a rosa como te quero:
Una.
Como dói ver-te assim – enamorada!
Tu amas um ser encolhido, em gestação.
Uma besta de muitos ardis e tolos planos,
Uma Hidra de plural paixão.
Cada mente que possuo, cada face,
Existe em seu próprio universo.
Sente e toca; pensa e ama.
E o corpo – onde fica? Aonde vai?
Tens sido fiel, minha musa, e digo mais:
Como nunca logrei.
Fui adúltero. Infiel de tua presença.
Réu, confesso: outras vidas tentei.
Mas, sem forjar remorso, explico:
Cada face é domada por sonho distinto.
Esses todos que sou (nada) não se calam
E nem se extinguem.
Mas tu, amada! Nunca me abandonaste!
Sufoquei-te em cores, sob mil andrajos!
Abafei teu canto doce ante notas carnais!
E sempre, no fundo, lá estavas!
Não me condenes, se puderes.
O mal que te fiz – faço por ciúmes!
Conheço-te, anjo! Quimera! Meretriz!
Teus leitos são muitos! Teu peito é o mundo!
És fiel em tua presença, jamais em teu amor!
Outras juras eu leio de grandes nomes passados.
Rivais meus, sim, e ainda assim idolatrados!
Trabalham-te, como Deus à natureza.
Cada letra, cada verso - é amor! A Beleza!
E eu, inseguro eu?
Tenho medo.
Não sei que em mim vês.
Ofereço-te jóias daninhas.
Rosas brutas e mesquinhas,
De rubras pétalas, mas frias.
E amo tanto a tua presença!
Amo tanto, que te afasto! Fujo! E me guardo!
Tu me ofuscas as mãos trêmulas e inábeis,
Que em vão passeiam por teu ser sublime,
Nesse roto afago, nesse beijo amargo!
Abandona-me, Afrodite!
Até que a tinta me seques do peito
E me quebres a pena já tão torta!
Onde pus a cabeça, que me arrisquei
[a te seguir?
Por que não te abandono de vez?
Tenho mil faces, já disse! Amo outras, confesso!
Mas n’alma sou tão tolo, e tão cego e tão louco,
Que ouso sonhar em ter nome e, por isso,
Escrevo.
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