Por que esse desprezo me votas?
Que te fiz, senão te olhar?
E se te olhei foi por tua graça,
Que a todo olhar encanta e arrasta!
Por que tanta surpresa,
Se te floresces à primavera?
Se queres esconder tua beleza,
Anda nua sob um véu!
E nada de transparências ou justezas!
Serás botão no jardim das delícias.
E enquanto te guardas ao Futuro,
Ele se encanta na vaidade alheia.
Entenda:
Não te olho como o lobo que sou,
Mas como o poeta a que aspiro.
E se tenho as presas do desejo,
Quero a pena do suspiro!
Mas não te enganes, tampouco!
Não quero que me olhes de volta
Ou que me retornes um sorriso!
Apenas passa! E não finjas que incomodo!
Afinal, vivo à poesia, mas não deixo de ser lobo.
E se ora escrevo à tua beleza e canto à tua graça,
Se me pedires com jeito, largo a pena e mordo!
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