quinta-feira, 17 de abril de 2014

O que fazer quando se acaba o último gole de alma
E toda a campanha dos justos pela fé no amanhã
Já não faz como nunca fez eco no seu parco resto de
Esperança?

Cada rosto que o observa já não tem mais o fogo
Da acusação e sim o veneno da indiferença
Que o faz no espelho contemplar o adeus ao querer ser
Restando-lhe o pedir não ter feito ou ser algo que não isso

E em algum lugar aí por dentro um relógio marca apenas os segundos
Que se perderam amontoados naquilo a que batizaram sua vida
O milagre de conceber os sonhos mais belos
E mais a tortura de vê-los não vingar

Um
Por
Um

Lenta e violentamente no absurdo passo do envelhecer
A metamorfose da semente divina em homem-feito
Exigindo-se que se torne algo antes de ser gente
De ser humano

E o que se quer no fim é inspirar um pouco de compaixão
Mendigando pelo caminho das outras almas um afeto (sincero)
Ainda que manchado pela sombra do desconhecimento
Daquilo que um dia mudou e se tornou você

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O rascunho já vai bem rasgado, eu sei
Mas quem pode fazer de si uma bola
Jogar-se no lixo e começar do zero
Como se o mundo não o conhecesse?

Um quê de big bang de uma só alma
Engatinhando pelos pés dos anjos
Brincando no conforto do não saber
Do ainda poder

Mas não

O preço de ser humano vai além
É não poder parar nunca
(Ou pelo menos não dever)

E mesmo quando se pensa que não dá mais
Que já se partiu tudo o que podia dentro de si
E a única saída é a saída - é enfim ter um fim

Vem um anjo-zé todo sujo de graxa
Que te remenda com chiclete, arame e cuspe
Só pra ver se dá pra ir um pouco mais longe
(Até a esquina, talvez)

No caminho que só Deus sabe onde vai dar