Um novo dia!
Tanta esperança e vida!
Que sol belo me desperta!
Que luz agora - em mim - brilha!
O que virá em seguida?
Que será de meu crepúsculo?
Um sorriso, uma lágrima,
Um alô, uma despedida?
Que seja!
Que a hora morra ou viva,
Que me beijem na partida,
Esse dia é meu! Só meu!
E ainda que vença ou de joelhos desabe;
Que não mude o que em mim não vale;
Que me anoiteçam o peito e não mo embalem;
A glória reside sempre no olhar -
Nesse olhar que não se abate!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
Promessa
Sou um homem de paz
Com muita guerra por dentro.
A branca pomba na mão
E a espada no peito.
Um chute perfeito! Na trave.
Um premiado livro - em branco.
Uma grande promessa... Nada mais.
Um belo futuro. Um sempre quase.
Só fui herói em minha mente:
Males e catástrofes venci;
Juras e suspiros arranquei;
Velhos e crianças salvei.
Mas, no fim, quando os sonhos tiram férias,
Quando tudo que me resta é o real, só o real,
O herói continua aqui, sempre aqui!
A mente solta, o coração preso!
Para que tanta pena sem tinta, meu Deus?
Tanta vida sem história?
Essa mente nas nuvens, incorrigível!
Esses pés na lama, irremediáveis!
Quando morrer, uma homenagem:
Aqui jaz um escritor de livro algum;
Viajor de mundos em seu leito e
Um grande herói de nada feito.
Com muita guerra por dentro.
A branca pomba na mão
E a espada no peito.
Um chute perfeito! Na trave.
Um premiado livro - em branco.
Uma grande promessa... Nada mais.
Um belo futuro. Um sempre quase.
Só fui herói em minha mente:
Males e catástrofes venci;
Juras e suspiros arranquei;
Velhos e crianças salvei.
Mas, no fim, quando os sonhos tiram férias,
Quando tudo que me resta é o real, só o real,
O herói continua aqui, sempre aqui!
A mente solta, o coração preso!
Para que tanta pena sem tinta, meu Deus?
Tanta vida sem história?
Essa mente nas nuvens, incorrigível!
Esses pés na lama, irremediáveis!
Quando morrer, uma homenagem:
Aqui jaz um escritor de livro algum;
Viajor de mundos em seu leito e
Um grande herói de nada feito.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Sonho
Sempre soube que o tempo passa.
De cor, mudam os dias e os cabelos,
Assim como caem as folhas e os seres.
Mas e os sonhos?
Tantos anos e ainda os vejo aqui. Dentro.
Lutando, vibrando, vivendo.
Como o mundo é diferente para eles!
Como têm tanta certeza e coragem!
Intimidam-me, de tão atrevidos!
Desafiam todo o meu alicerce e
Escarram na monotonia dormente,
Camuflada nos planos do dia.
Riem-se de tudo esses infames!
De respeito, nem sequer um pingo têm
Pelo sossego dos outros...
Insônia, és filha de meus sonhos!
E me pergunto com o tempo, amigo e conselheiro,
Se esses diabretes não lhe sofrem o bocejo.
Ele, tão poderoso e paciente, apenas me responde
Que sonho vive onde só há mistério.
Que nasce do desejo mantido em cativeiro
E se alimenta d'alma que não sabe a devaneio.
No fim, quando a própria vida se consome,
A vontade permanece e vivo segue o sonho.
De cor, mudam os dias e os cabelos,
Assim como caem as folhas e os seres.
Mas e os sonhos?
Tantos anos e ainda os vejo aqui. Dentro.
Lutando, vibrando, vivendo.
Como o mundo é diferente para eles!
Como têm tanta certeza e coragem!
Intimidam-me, de tão atrevidos!
Desafiam todo o meu alicerce e
Escarram na monotonia dormente,
Camuflada nos planos do dia.
Riem-se de tudo esses infames!
De respeito, nem sequer um pingo têm
Pelo sossego dos outros...
Insônia, és filha de meus sonhos!
E me pergunto com o tempo, amigo e conselheiro,
Se esses diabretes não lhe sofrem o bocejo.
Ele, tão poderoso e paciente, apenas me responde
Que sonho vive onde só há mistério.
Que nasce do desejo mantido em cativeiro
E se alimenta d'alma que não sabe a devaneio.
No fim, quando a própria vida se consome,
A vontade permanece e vivo segue o sonho.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Eu?
Quando nasci, já vim de costas.
Querendo voltar, sair, sei lá.
Ficar é que não dava.
Não pertencia, não encaixava.
E por que diabos saí no Brasil?
Terra de malandro, sambista e peladeiro.
No gingado e na vida, amigo,
Vai ou racha! Não fica no meio.
Mas no samba, sou gringo.
Da mãe-bola, bastardo.
Um malandro quadrado,
Que só vive fugindo.
Vou lá, mas quero cá.
Se fui, é pra voltar.
E se paro,
Deus! Quero andar!
Mas no meio me viro:
Meu Pai, que eu faço?
Vou?
Fico?
Volto?
Diabo! Onde é que me encaixo?
Querendo voltar, sair, sei lá.
Ficar é que não dava.
Não pertencia, não encaixava.
E por que diabos saí no Brasil?
Terra de malandro, sambista e peladeiro.
No gingado e na vida, amigo,
Vai ou racha! Não fica no meio.
Mas no samba, sou gringo.
Da mãe-bola, bastardo.
Um malandro quadrado,
Que só vive fugindo.
Vou lá, mas quero cá.
Se fui, é pra voltar.
E se paro,
Deus! Quero andar!
Mas no meio me viro:
Meu Pai, que eu faço?
Vou?
Fico?
Volto?
Diabo! Onde é que me encaixo?
sábado, 2 de janeiro de 2010
Feliz Ano Novo
Outra vez.
Antigas promessas,
Mesma esperança.
Muito mudou, é certo.
E por que tudo é reprise?
Mesmos olhos no horizonte;
Ainda a treva na fronte.
E pulam-se ondas.
Abraçam-se estranhos.
Estoura-se champanhe.
Festeja-se o futuro.
Otimismo, tolice, que me importa!
Só me livra da ameaça -
Ser um corpo na calçada!
Ao teu escárnio, tua graça.
Só quero escola, saúde,
Comida e segurança!
Dizer que é justo e não se engana
Quem põe fé numa criança.
Contudo, continuo!
Da janela a contemplar
Da tragédia um novo bis
E a miséria a sambar.
Assistindo e aplaudindo,
No camarote da omissão,
O ano novo surgindo,
O homem velho em ação.
Antigas promessas,
Mesma esperança.
Muito mudou, é certo.
E por que tudo é reprise?
Mesmos olhos no horizonte;
Ainda a treva na fronte.
E pulam-se ondas.
Abraçam-se estranhos.
Estoura-se champanhe.
Festeja-se o futuro.
Otimismo, tolice, que me importa!
Só me livra da ameaça -
Ser um corpo na calçada!
Ao teu escárnio, tua graça.
Só quero escola, saúde,
Comida e segurança!
Dizer que é justo e não se engana
Quem põe fé numa criança.
Contudo, continuo!
Da janela a contemplar
Da tragédia um novo bis
E a miséria a sambar.
Assistindo e aplaudindo,
No camarote da omissão,
O ano novo surgindo,
O homem velho em ação.
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