sábado, 2 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo

Outra vez.
Antigas promessas,
Mesma esperança.

Muito mudou, é certo.
E por que tudo é reprise?
Mesmos olhos no horizonte;
Ainda a treva na fronte.

E pulam-se ondas.
Abraçam-se estranhos.
Estoura-se champanhe.
Festeja-se o futuro.

Otimismo, tolice, que me importa!
Só me livra da ameaça -
Ser um corpo na calçada!
Ao teu escárnio, tua graça.

Só quero escola, saúde,
Comida e segurança!
Dizer que é justo e não se engana
Quem põe fé numa criança.

Contudo, continuo!
Da janela a contemplar
Da tragédia um novo bis
E a miséria a sambar.

Assistindo e aplaudindo,
No camarote da omissão,
O ano novo surgindo,
O homem velho em ação.

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