
Sou da astronomia um colega distante. Colega não, admirador. Conheço-a de vista, mas ela nem sabe o meu nome. É que a minha inteligência é igual àquele garoto tímido que ama platonicamente a menina mais bonita da escola. Ai, essas musas tão distantes!
Fascinam-me não só as jóias que se estampam no escuro da noite, mas as imagens de quasares, galáxias, nebulosas. Quanta maestria na dança do universo! Que beleza e força!
Não vejo como olhar o céu e não pensar em Deus. Que outra mão projetaria tudo isso? E logo dá uma vontade marota de entrar em uma espaçonave e admirar a minha Terra – esse globo azul tão fotogênico.
Ah, Mãe-Terra, como te maltratamos com guerras, lixo e descaso! Tu e tuas irmãs-estrelas refletem a grandeza do Pai em vossa formosura. Como dói ver-te assim: abandonada.
Se ao menos tivéssemos - os homens - o dom da poesia, enxergaríamos o belo em toda coisa e circunstância. Não só na lonjura dos espaços imaginados, mas em qualquer das pequeninas criações, veríamos Deus. E amaríamos tudo, porque tudo reflete a perfeição.
E por que misturo astronomia, poesia e Deus? Simples, tirando a física, poetas e astrônomos são os mesmos apaixonados, que se põem a vagar pelo céu noturno. Afinal, só contempla estrelas quem já se perdeu no olhar de uma mulher. E para ver Deus, é preciso amar primeiro.
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