Eu corri por anos inteiros. Fugi, como se me fosse possível estancar o sangue derramado.
Mas cá estamos.
Ignoro se meus espinhos ainda amam tua carne. Nem mesmo sei quão fundo te encontraram. Mas eu sangrei.
Meu vício é tão nocivo quanto um delírio. Teço uma teia de flores e de encantos. Agarro-me qual simbionte ao teu amor até que fiques indefesa. Então te aplico o ferrão do abandono.
Mais de uma década me custou entender isso. E só o pude, graças à ferida que te causei, que ainda me sangra.
Porém não o fiz por mal. Não o faço. É minha natureza fugaz. Ardo com uma intensidade só comparada ao tédio com que me apago. E as cinzas - ah! as cinzas do remorso... elas me consomem.
Um dia, valha-me Deus, estarei de novo à tua frente. Mas só quando puder enfrentar a dor que nos causei e consiga perdoar a mim mesmo.
Até lá, não descreias: os maus também choram. E cada lágrima é um passo à regeneração.
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