sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Temporal

Se a chuva que se derrama a lavar sujas calçadas
Alcançasse a consciência dos homens
Não se fabricaria sequer um guarda-chuva

E todo mundo colecionaria trovoadas
Guardando nos bolsos uns relâmpagos também
Pra mais tarde, é claro, a hora escura

Quando a sujeira resistente costuma aparecer

Só que não é de nuvem a chuva que limpa a alma enferma
Ela vem do coração quebrado e vai jorrar pelos olhos
Tão somente quando a previsão é que se caia de joelhos

E se permita a sã tormenta do arrependimento

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