sábado, 25 de outubro de 2014

Mudança

Hoje eu acordei pensando na República Tcheca.
Dominada pelo nazismo, sob a mão do Carniceiro de Praga, aquela nação ansiava por mudanças. Mas a sua libertação veio pelas mãos dos soviéticos: as câmaras de gás deram lugar à Cortina de Ferro...

Não é segredo que o país vem sendo depredado; que o governo é corrupto; que precisa de mudanças. Mas se existe uma lembrança que trago das aulas de História do Brasil é aquela frase antiga: "nada mais conservador que um liberal no poder; nada mais liberal que um conservador na oposição".
Provavelmente todo brasileiro está acostumado a saltar da frigideira e cair direto no fogo. E quando olho as opções que temos para o governo de nosso país, honestamente, fico apreensivo.
Há que se reconhecer a notável superioridade intelectual (e até carismática) de um candidato em relação ao outro. Contudo, um sussurro pessimista me alerta para a possibilidade de que o país deixe de ser estuprado à luz do dia para ser induzido a um coito forçado, na calada da noite, ao sabor de palavras bem estudadas, mas que não disfarçariam a realidade.
Porém a essa altura, conquanto viciada, a moeda já está no ar: é cara ou coroa. Só espero que, independentemente de governantes ou partidos, o Brasil mude de atitude. E que vença, portanto, o SER HUMANO que estiver mais propenso a buscar em si mesmo aquela virtude há muito esquecida - a dignidade.
Afinal de contas, como escreveu Quintana:

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


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