terça-feira, 20 de julho de 2010

Poesia

Trago em mim um eco
Tão agudo e constante como
A certeza (condenação) de existir.
E existo. E ouço o ruído a todo instante.

Assim como teus olhos, teus belos olhos!, são teus
E te foram dados pela genética, por Deus
Mas que são de tal forma teus que parecem
Ter vindo junto com a tua própria essência,
Com aquilo de ti que era e será.

Também meu eco é mais que uma dádiva
E me diz como sou exilado nesse mundo.
Meu mundo. Nosso mundo. De ninguém.

E grita sempre que me vejo só
Como a saborear meu sangue perdido.
É como um carrasco a me aplicar a pena:
Abrir as portas do mundo a mim mesmo
E mostrar aos outros tudo aquilo que eu vejo
Sem nem saber de que se trata.

Mas como ele grita!

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