sexta-feira, 5 de março de 2010

Daydreaming

No intervalo de um olhar
Ela me veio como um sonho,
Uma visão de um oásis,
Misterioso e concreto devaneio.

E tão logo a vi, presto embarquei
Na caravela abstrata das almas,
Rumo à terra que pronta me veio
Mas que digo que é minha.

Aqui é meu lar, meu feudo.
Mundo de magia e sonhada beleza,
Onde, com ela, faço como quero:
Admiro, conquisto, me caso e deliro.

E reino tão forte e terrível – Ivan!
E tão doce e fiel – o Cristo!
Que meu nome é por todos saudado
E por ela meu ser é amado.

Sou eterno. Imutável. Invencível...

Mas o que é isso?
Murcham-se-me as flores do jardim!
Cada pétala desfeita em nada!
Que vil praga és tu que me atacas?

Do palácio tremem as colunas,
As paredes vacilam e se inclinam,
Mas nada desaba.
Tudo se aniquila.

Oh, fugaz agonia!

Por que me arruínas, catástrofe enevoada?
Por que me roubas de meu trono até os escombros?
Por que me trazes de volta e a fantasia me levas?

Que me resta?

O que de mim resta?

A leveza do século que sufoca,
O peso do ano que nem se vê...

O que me resta é a vileza!
A tirania do real que não tolera,
Nem mesmo se onírica, a grandeza
E me rouba do delírio só para dizer:

“Nem sonhando o tempo te pertence!”

E da mulher que comigo foi rainha,
Fica só um quadro que se move,
Uma lembrança viva de um tempo morto,
O amor de uma vida, cujo nome nem sei.

2 comentários:

  1. Dudu... como sempre adorei o poema!!! Vou esperar ansiosamente pela publicação do próximo!!!

    Ass: Peraltinha.

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  2. Sem ComenTários, né? Lindo!!!

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