Hoje acordei com os olhos ainda fechados, querendo sentir algo mais - além da ausência.
São dias assim que me deixam de mão no queixo, olhando um horizonte perdido no tempo, à espera de um sorriso.
Não é nada afinal. Nada demais. Nenhuma doença crônica, febre, depressão ou covardia. É o calafrio. O bater dos dentes quando a brisa da solidão me engolfa a alma.
E é então que percebo as algemas que me submetem à falta de fantasia, ao império de uma realidade que mais parece um sonho tedioso e infinitamente pessoal.
Deus! São dias assim que me fazem querer voar pra bem longe de mim mesmo e bem juntinho dela. Pra pegá-la em meus braços e sentir seus lábios na minha testa. Deslizar seu corpo até que minha boca morda bem de leve o seu queixo e minhas mãos a conheçam novamente.
E isso apenas aumenta mais a noção de que estou só, no mundo desse momento, nesse meu inverno.
Minha saída é me abraçar ao violão e dedilhar algumas lágrimas, sussurrando aos meus próprios ouvidos a enorme e vazia dor da solidão.
Tentando sufocar a vontade, tão irresistível quanto impossível, de voar feito um passarinho e libertar meu canto doce bem ao pé do seu ouvido.
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