Às vezes, de tão firme e simples, a vontade se confunde em nostalgia, tal que os desejos perfurem o peito como fatos, numa saudade boa de tempos nunca vistos.
À mente vem aquela praia de nossos belos anos, de areia macia e rodeada por coqueiros bem fartos, onde nossas almas se tocavam dia-a-dia, como eu: sol(!), em ti, meu mar.
Erguia-me sobre teu corpo fluido, na aurora do anseio de te encobrir no tênue lençol de névoa, perdidos ambos no segredo de um beijo bem longo.
Ainda em êxtase, de tuas águas emergia contrafeito, à maneira de quem se vai a viver o dia, já ardendo por voltar ao braço amado.
E tudo o que mais queria ao retornar era afogar a febre da distância, mergulhando novamente em teu profundo seio. Abrir caminho para a noite de meus olhos bem fechados, para não ver as horas deslizarem tão depressa. E apenas – só isso! - me perder do mundo, sempre que teu corpo me guardava.
Mas quanta falta que me faz esse tempo! Sempre chegarmos, eu e tu, um ao outro. E todo nosso propósito: vivermos um no outro. Só não termos o próprio tempo, que a noite sempre em dia se transforma e é preciso partir...
Mas o tempo... Não é mesmo para que alguém o tenha e se dê conta disso.
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