terça-feira, 24 de setembro de 2013

Foi o tempo em que eu fechava os olhos
Costurava uma gaivota com o próprio tempo
E do espaço rasgava o céu pra que ela voasse bem

As horas escorriam por entre meus dedos
Que se divertiam enquanto eu pulava na chuva, corria atrás de bola
Caía de amores por quem nem me conhecia

E sabia de tudo!
Desafiava o que fosse preciso e o impreciso era eu mesmo
Que de tão ocupado com a vida sequer sabia o que era a vida

Capitão de um barco ao largo sem espias ou velas nem leme
Filhote querido de algum anjo
Que de tanto amor se divertia só de olhar

Mas a ferrugem dos anos corroeu-me tudo
Levou de mim toda aquela sabedoria e me deixou
A fórmula da razão e a dureza do esquecimento

Só que a alma não se rouba e nem se vende
E é nela que me dói sempre que possível
A saudade que o anjo tem desse tempo de criança

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