sábado, 23 de janeiro de 2010

Sonho

Sempre soube que o tempo passa.
De cor, mudam os dias e os cabelos,
Assim como caem as folhas e os seres.
Mas e os sonhos?

Tantos anos e ainda os vejo aqui. Dentro.
Lutando, vibrando, vivendo.
Como o mundo é diferente para eles!
Como têm tanta certeza e coragem!

Intimidam-me, de tão atrevidos!
Desafiam todo o meu alicerce e
Escarram na monotonia dormente,
Camuflada nos planos do dia.

Riem-se de tudo esses infames!
De respeito, nem sequer um pingo têm
Pelo sossego dos outros...

Insônia, és filha de meus sonhos!

E me pergunto com o tempo, amigo e conselheiro,
Se esses diabretes não lhe sofrem o bocejo.
Ele, tão poderoso e paciente, apenas me responde
Que sonho vive onde só há mistério.

Que nasce do desejo mantido em cativeiro
E se alimenta d'alma que não sabe a devaneio.
No fim, quando a própria vida se consome,
A vontade permanece e vivo segue o sonho.

Um comentário:

  1. Esse tá muito bonito... Mesmo.
    Parece até texto de prova de Português - interpretação de texto!
    Aposto como ia derrubar um monte de gente... rs

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